Alta de juros tem efeito reduzido no mercado imobiliário

A elevação em 0,5 ponto porcentual da taxa básica de juros (Selic), para 16,75%, definida ontem pelo Banco Central, terá efeito mínimo no mercado imobiliário, de acordo com a Associação das Empresas de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). O efeito da elevação, classificado como "muito reduzido" pela entidade, poderá ser verificado na correção das prestações dos mutuários do Sistema Financeiro de Habitação (SFH)."Essa elevação altera um pouco a TR (taxa referencial), mas ainda assim o ajuste será nominal", afirma o superintendente-técnico da Abecip, José Pereira Gonçalves. Ele explica que a manutenção da Selic em 16,75% nos próximos 12 meses implicaria em TR de 2,10%, ante TR em torno de 1,9% caso a taxa básica de juros fosse mantida em 16,25% pelo mesmo período. "A diferença sobre as prestações seria mínima".Caderneta de poupançaA decisão de ontem, acrescenta o superintendente da Abecip, também não deve ter efeito significativo sobre a captação da caderneta de poupança. "O maior impacto foi sentido na decisão anterior do Copom (em setembro), que tirou a Selic do patamar de 16%", diz. Com a elevação para 16,25%, o ganho do poupador caiu de 70% da taxa média dos Certificados de Depósito Bancário (CDBs) para 65%. "Isso faz com que a captação da caderneta de poupança seja menor e, por conseqüência, há menos recursos para financiamento imobiliário", explica.Para o presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Romeu Chap Chap, o nó do crédito imobiliário não está no volume de recursos da caderneta de poupança. "Hoje há mais recursos disponíveis do que comprador", enfatiza. Portanto, qualquer variação para cima na taxa básica de juros em nada comprometeria, de forma direta, a demanda por financiamento imobiliário."A alta dos juros afeta indiretamente o mercado imobiliário se o consumidor sentir o efeito no bolso. Se a indústria e o comércio reclamarem de queda de consumo, então também sentiremos esse impacto", ressalta Chap Chap. Para o presidente do Secovi, a alta do preço do barril do petróleo é mais grave que a decisão de ontem do Copom. "Concordo inteiramente com o (ministro Luiz Fernando) Furlan, que pediu para que se esqueça um pouco da Selic", acrescenta.

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