Dida Sampaio/Estadão
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Alta de preço de alimentos vai durar alguns meses, mas volta à normalidade, diz secretário de Guedes

Segundo Adolfo Sachsida, aumento é transitório e não traz risco para o controle da inflação

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2020 | 11h52
Atualizado 09 de setembro de 2020 | 16h51

BRASÍLIA - O secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, avaliou que a alta de preços de alimentos, como o arroz, é "transitória e localizada" e não traz risco para o controle da inflação

“A inflação é uma alta generalizada e recorrente. O aumento que estamos vendo agora não é generalizado, mas localizado em alguns produtos da cesta básica. Vai durar alguns meses e depois retorna à normalidade”, diz Sachsida, que comanda a secretaria responsável pelo acompanhamento dos preços e dados de alta frequência da economia.

Segundo ele, o presidente Jair Bolsonaro acertou quando disse que não vai resolver o problema na caneta. ”Vamos lembrar a frase completa dele. Ele falou que não dá para resolver o problema numa canetada”, ressaltou. Na semana passada, ao pedir "patriotismo" aos comerciantes, Bolsonaro disse que não baixaria os preços com uma intervenção governamental.

Na terça-feira, 8, ao falar sobre  o preço do arroz, que disparou nas últimas semanas, com pacote de cinco quilos chegando a custar R$ 40 (normalmente, é vendido a cerca de R$ 15), Bolsonaro disse que o governo prepara medidas para encarar a inflação dos alimentos e "dar uma resposta a esses preços que dispararam nos supermercados”.  

Nesta quarta-feira, 9, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA, o índice oficial de preços, teve alta de 0,24% em agosto, sobre pressão, principalmente da gasolina e dos alimentos.

Como a secretaria vê a alta de preços dos produtos da cesta básica?

É problema localizado transitório na questão dos alimentos. Isso aconteceu, sobretudo porque o governo, no esforço para combater a crise do coronavírus,  transferiu parcela importante de recursos de auxílio emergencial aos informais. Era natural que as pessoas iriam gastar parte desse dinheiro com alimentos. O que é muito bom. A demanda por alimentos aumentou e é que estamos vendo hoje.  A demanda internacional  aumentou também.  Mas essa é questão de conjuntura. Não me parece ser estrutural.

Há o risco de repique da inflação?

Vai aumentar um pouquinho, porque o preço dos alimentos aumentou. Mas quando se olham os índices de inflação, em termos agregados, continuam totalmente sob controle. A inflação continua muito baixa. As pessoas que vão ao supermercado sentem que aumentou, mas é uma alta transitória na questão de alimentos. Nós temos que estar cientes dos efeitos das nossas intervenções de política econômica. O governo, junto com o Congresso, criou o auxílio emergencial aos informais. É  um programa que transfere mais de R$ 50 bilhões por mês para a população que está numa situação de dificuldade. Vamos dar o exemplo do Bolsa Família. As famílias do programa recebiam em média R$ 190 e passaram a receber quase R$ 900 com o auxílio aos informais (levando-se em conta que uma mesma família tenha mais de uma pessoa recebendo o auxílio de R$ 600 ou ainda a situação das chefes de famílias que receberam R$ 1,2 mil por mês). É natural que essas pessoas vão demandar mais alimentos, vão comer mais. Isso mostra o acerto da política, porque a pessoa está gastando mais com comida. É natural que o preço dos alimentos tenha um aumento. Era esperado.

Vai demorar quanto tempo para normalizar os preços?

São várias questões. Tem o  mercado internacional que está pressionando os preços dos alimentos para cima. Tem os programas governamentais de ajuda à população carente, porque é um momento que demanda intervenção do governo. Isso vai normalizado. Talvez demore um pouquinho, mas nada que comprometa a estabilidade de preços. Repito: é um choque localizado.

Qual a diferença?

A inflação é uma alta generalizada e recorrente. O aumento que estamos vendo agora não é generalizado, mas localizado em alguns produtos da cesta básica. Vai durar alguns meses e depois retorna à normalidade. O Banco Central tem feito um trabalho excepcional  no combate da inflação. Estamos muito seguros  disso.

O governo não está vendo risco maior de uma disseminação do aumento de preços?

Nenhum. O presidente Jair Bolsonaro pediu patriotismos do setor de supermercados para não aumentar os preços. Essa postura fez muitos lembrarem os fiscais de preços do ex-presidente José Sarney. Pelo contrário, o presidente Bolsonaro acertou. Vamos lembrar a frase completa dele. Ele falou que não dá para resolver o problema numa canetada. Ou seja, o presidente mostrou claramente que não pretende interferir no processo de preços.  Ele acertou.  O que está correto porque nesse momento é localizado. O que ele pediu é que cada um contribua como puder para ajudar nesse momento de crise na economia mundial e brasileiro. Todos nós estamos contribuindo. O presidente pediu que cada um ajude e dê a sua contribuição. 

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