Alta de preços dos grãos pressiona inflação

Os preços recordes da soja e do milho são uma excelente notícia para a agricultura e representam um bônus para a balança comercial, mas pressionam a inflação. Para analistas, os alimentos voltam a ser o vilão da inflação, embora não comprometam a meta do Banco Central (BC).

O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2012 | 03h07

Divulgado na semana passada, o IPCA-15 de julho (uma espécie de prévia mensal do Índice de Preços ao Consumidor Amplo) assustou ao subir 0,33%, acima das projeções do mercado, por causa dos alimentos.

"Os problemas climáticos nos Estados Unidos farão, de fato, com que os alimentos se tornem novamente o vilão da inflação em 2012, mas outros elementos vão compensar esse aumento", escreveu Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, em relatório para clientes.

Segundo Fábio Romão, economista da LCA Consultores, o IPCA deve fechar o ano em 4,8%, pouco acima da meta de 4,5% do BC. "Existe esse movimento de pressão das cotações agropecuárias, mas os preços dos bens duráveis ainda estão em baixa, particularmente dos automóveis novos por causa da redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Além disso, a crise global ajuda a manter em baixa os preços dos produtos importados."

O economista explica que, no curto prazo, o impacto da alta das cotações da soja e do milho é mais significativo no Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), que mede os preços no atacado. Os dois grãos têm um peso significativo no IPA agrícola, que compõe 1/4 do IGP-M.

Para os preços ao consumidor, o efeito será mais forte nos próximos meses, quando a alta dos grãos encarecer a ração animal e contaminar os preços das carnes. No IPCA, o peso da soja e do milho é irrelevante, mas as carnes têm participação significativa.

Outro impacto indireto ocorrerá por causa da indexação da economia brasileira. Como o IGP-M tende a ser mais salgado este ano por causa da soja e do milho, os reajustes dos aluguéis também serão mais expressivos em 2013.

"O impacto inflacionário dos problemas climáticos nos Estados Unidos ainda é tranquilo, mas já aumentam os riscos para a inflação em 2013", diz Romão. O economista revisou de 5,2% para 5,4% sua previsão para o IPCA no ano que vem. / R.L.

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