Alta de renda e massa salarial indica atividade aquecida, avalia Sicredi

Desempenho do rendimento e da massa de salários apurado pelo IBGE surpreendeu, diz o economista do Banco Cooperativo Sicredi, Pedro Ramos

Anne Warth, da Agência Estado,

22 de junho de 2011 | 13h15

O comportamento do rendimento e da massa de salários apurado pelo IBGE no mês de maio corrobora as avaliações de que a atividade econômica continua aquecida. A análise é do economista do Banco Cooperativo Sicredi, Pedro Ramos, para quem as quedas na margem apuradas nos dois indicadores na pesquisa anterior, de abril, foram "acidentes de percurso". "Os dados divulgados hoje mostram um cenário de inflação maior que o BC esperava para o fim do ano. Para quem achava que a atividade iria desacelerar mais rápido, os dados alertam que a desaceleração não vai ser tão simples", afirmou.

"O desempenho do rendimento e da massa de salários nos surpreendeu. Na pesquisa anterior, houve queda significativa desses dois indicadores, o que, de certa forma, sinalizou que talvez o mercado de trabalho sofresse uma desaceleração mais forte e demorasse para recuperar essa perda", afirmou, referindo-se à queda de 1,8% da renda média real e à redução de 1,7% da massa de renda habitual em abril na comparação com março.

Segundo o economista, o resultado de maio trouxe recuperação de tudo o que foi perdido no mês anterior, com crescimento de 1,1% da renda média real e de 1,6% da massa de renda real habitual ante abril. "Foi um crescimento muito grande para um único mês do ano, e os dados apontam para movimentos inclusive mais fortes, principalmente o dado das pessoas que trabalham por conta própria, que havia caído muito e agora se recuperou, com alta de 1,1% em maio ante abril", afirmou.

Também chamou a atenção de Ramos o rendimento dos trabalhadores da construção civil, que cresceu 6,6% em maio ante abril, indústria (3,8%) e comércio (3,4%). De acordo com ele, o rendimento, aliado ao crescimento da ocupação, de 0,35% no mês dessazonalizado, e ao Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que subiu 0,44% em abril ante março, mostra um cenário consistente de aquecimento e expansão em vários setores da atividade econômica, principalmente no setor de serviços. Na divulgação de hoje, o dado positivo, segundo ele, foi o rendimento dos funcionários públicos, que caiu 1,1% em maio ante abril.

A taxa de desemprego de maio, de 6,4%, veio em linha com a projeção do Sicredi. Para junho, a instituição prevê que o desemprego atinja 6,2% da População Economicamente Ativa (PEA). "Em junho teremos um efeito sazonal significativo e o desemprego deve começar a ceder. Mas, no dado dessazonalizado, o desemprego, no fundo, continuará no mesmo nível", afirmou.

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