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Alta do álcool na bomba em um mês chega a 14,7% em São Paulo

Produto ainda é mais econômico que a gasolina em todos os Estados das Regiões Sudeste e Centro-Oeste

Nicola Pamplona, O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2007 | 00h00

O motorista brasileiro pode preparar o bolso: está aberta a temporada de alta no preço do álcool combustível. O produto já subiu 30% desde a mínima do ano nas usinas de São Paulo e a tendência, segundo analistas, é de que a alta continue nos próximos meses, em razão do período de entressafra na produção de cana-de-açúcar. Segundo projeção da consultoria Datagro, o preço nas usinas paulistas deve chegar a R$ 0,85 nos primeiros meses de 2008, o que representaria um aumento de quase 50% com relação à mínima deste ano.Os repasses às bombas já começaram, embora em ritmo inferior à escalada dos preços nas usinas. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o litro do álcool hidratado nos postos brasileiros acumula alta de 8,8%, em média, no último mês. Em São Paulo, o aumento é maior, de 14,7%, já que a proximidade com as usinas e a maior rotatividade dos estoques fazem com que os novos preços cheguem mais rápido ao mercado. Mesmo com a alta, o álcool ainda é mais vantajoso do que a gasolina em todos os Estados das regiões Sudeste e Centro Oeste. Segundo os dados da ANP, apenas no Amapá, Pará, Piauí, Roraima e Sergipe o preço do álcool ultrapassou o limite de 70% do preço da gasolina, quando passa a valer a pena optar pelo derivado do petróleo. Nos Estados do Norte, porém, tal situação é recorrente durante o ano, devido à maior distância das usinas de cana.Os consumidores do Espírito Santo, Distrito Federal Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina devem ficar atentos na hora de abastecer o carro, uma vez que a diferença de preços entre os dois combustíveis aproxima-se do limite. Como os valores divulgados pela ANP indicam a média de preços de cada Estado, é possível que em cidades ou postos específicos a gasolina já leve vantagem sobre o álcool hidratado.O movimento de alta é normal nesta época do ano e dura até o fim do primeiro trimestre do ano seguinte, com o início da colheita da próxima safra. Especialistas no setor acreditam que este ano os preços devem subir menos do que em anos anteriores, já que a produção de álcool foi maior e não houve grandes exportações do combustível. Por outro lado, o consumo também cresce, à medida que um número maior de carros bicombustíveis chega ao mercado.Mesmo com a disparada das últimas semanas, a cotação do álcool nas usinas está em patamar semelhante ao registrado em novembro de 2006 e 7% mais barato do que no mesmo período em 2005, quando a escalada dos preços levou o governo a intervir no setor. Naquela entressafra, o preço nas usinas chegou a superar os R$ 1,20 por litro, embora os usineiros tenham se comprometido com o presidente Lula a respeitar um teto de R$ 1,05.MUDANÇA DE HÁBITOSegundo a pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em Econômica Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP), Mirian Bacchi, tradicionalmente a variação de preços entre a safra e a entressafra situa-se por volta dos 30%. "Essa é a média dos últimos seis anos, embora tenham havido entressafras com alta maior e até queda de preços", ressalta. "Com o álcool barato, as pessoas mudam os hábitos, passam a viajar e usar mais o carro, o que provoca queda de estoques e, conseqüentemente, alta de preços", ela explica.Na última semana, porém, os preços estabilizaram-se, o que poderia indicar um ajuste entre as projeções de oferta e demanda. A ANP finaliza nos próximos dias uma análise dos estoques desta entressafra, mas já adiantou ao Estado que há estoques suficientes para garantir o abastecimento no período. Segundo boletim do próprio Cepea, os usineiros estimam produção de 18,8 bilhões de litros na safra que termina, volume 15% superior ao produzido no ano passado.O governo já anunciou que não pretende intervir no setor este ano, deixando o papel de regulador de preços para o consumidor. "Se o valor não for adequado para competir, tenho certeza de que nem você vai usar, nem eu vou usar como consumidor", afirmou, no início da semana, o ministro de Minas e Energia, Nelson Hubner. Segundo o ministro, se o preço subir, o consumo cai, porque mais motoristas vão optar pela gasolina, forçando nova queda na cotação do álcool.

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