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Alta do desemprego em março é típica para o período

O crescimento da taxa de desemprego de 10,5% em fevereiro para 11,2% em março em sete regiões metropolitanas do País foi um comportamento típico para o período, avaliaram os coordenadores da Pesquisa de Emprego e Desemprego da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

ANNE WARTH, Agencia Estado

27 de abril de 2011 | 14h26

O coordenador da pesquisa pelo Dieese, Sérgio Mendonça, destacou que o nível de ocupação vem caindo há três meses consecutivos, o que é esperado nos primeiros meses do ano. Em março, a ocupação caiu 1,1% em comparação com fevereiro, o que representou a eliminação de 207 mil postos de trabalho. No primeiro trimestre, 495 mil vagas foram eliminadas.

O coordenador da pesquisa pela Fundação Seade, Alexandre Loloian, ressaltou que o comportamento da taxa de desemprego tem sido beneficiado pelo baixo crescimento da População Economicamente Ativa (PEA). Em relação a fevereiro, a PEA caiu 0,3%, o que significou a saída de 73 mil pessoas do mercado de trabalho, e comparativamente a março de 2010, a PEA não teve variação. "É normal que o nível de ocupação e a taxa de desemprego cresçam no primeiro trimestre. O que é menos comum é o comportamento da PEA, que tem colaborado muito para segurar a taxa de desemprego em níveis mais baixos", disse.

Mendonça explicou que o baixo crescimento da PEA está relacionado, no curto prazo, ao bom momento econômico do País, que permite que os jovens entrem mais tarde no mercado de trabalho e não precisem contribuir para o sustento da família. No longo prazo, a PEA tende a cair por razões demográficas, disse Mendonça, citando que as mulheres têm tido menos filhos que no passado. "A ocupação caiu bastante, mas como a PEA não tem pressionado, a taxa de desemprego não aumentou tanto."

Todos os setores de atividade eliminaram postos de trabalho no mês de março. As maiores quedas foram verificadas na Construção Civil (-2,4%) e em Outros Serviços (-2,4%), que inclui o serviço doméstico. O nível de ocupação no Comércio caiu 1,6%; na Indústria, a redução foi de 1%; e em Serviços, houve queda de 0,5%.

Apesar do crescimento, a taxa de desemprego nas sete regiões metropolitanas foi a menor para meses de março de toda a série, iniciada em 1998. Loloian explicou que o mercado de trabalho não está tão aquecido neste ano. "O que está ocorrendo é que o mercado de trabalho melhorou nos últimos anos e está havendo uma manutenção desse movimento neste início de ano", afirmou.

Em março, a taxa de desemprego aumentou em São Paulo, para 11,3%. Ainda assim, foi o menor nível registrado para meses de março desde 1990, quando o desemprego estava em 9,3%. No mês passado, a capital paulista eliminou 110 mil vagas. Todos os setores de atividade registraram queda no nível de ocupação: Outros Serviços (-1,8%), Comércio (-1,8%) e Serviços (-0,6%), puxado pelos serviços de transporte, auxiliares e especializados. Na Indústria (-1,7%), a queda foi puxada pelos setores de metal-mecânica, química e borracha e alimentício.

O desemprego também caiu no Distrito Federal (13,4%), Belo Horizonte (8,5%), Fortaleza (9,3%) e Salvador (15,7%). Em Porto Alegre, o desemprego ficou estável em 7,4%, e no Recife, em 13,9%.

Já o rendimento médio real dos ocupados registrou queda pelo quarto mês consecutivo. Em fevereiro, o rendimento caiu 0,8% na comparação com janeiro e passou a valer R$ 1.377,00. Na comparação com fevereiro de 2010, o rendimento registrou alta de 5,1%. Mendonça destacou que parte dessa redução pode ser atribuída ao aumento da inflação, que corrói o ganho dos trabalhadores. Loloian lembrou que, em São Paulo, apesar do crescimento, o rendimento continua baixo. "Estamos no mesmo nível de rendimento de fevereiro de 2002."

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