Alta do dólar deve afetar balanço da Petrobrás

Empresa deve perder com endividamento em moeda estrangeira e defasagem do preço dos combustíveis

SABRINA VALLE / RIO , O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2012 | 02h18

A valorização do dólar em relação ao real tende a causar impacto negativo no balanço da Petrobrás. Endividamento em moeda estrangeira, custos em dólar e defasagem do preço dos combustíveis explicam as perdas. A companhia já amargou bilhões neste ano e pode intensificar as perdas no quarto trimestre, segundo o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).

O maior efeito é sobre a dívida da companhia em outras moedas, embora o efeito seja em grande parte contábil. A exposição líquida da empresa é passiva, ou seja, uma valorização do real ante o dólar gera receita, enquanto uma desvalorização do real representa despesa.

A depreciação cambial e captações fizeram com que a exposição cambial líquida subisse 75,5% neste ano até setembro. A exposição aumentou para R$ 97,597 milhões no último dia de setembro, ante R$ 55,575 milhões em 31 de dezembro de 2011.

No acumulado dos nove primeiros meses do ano, o dólar médio de venda ficou em R$ 1,92, ante R$ 1,63 de janeiro a setembro de 2011, uma variação de 18%. O câmbio se valorizou desde então, atingindo ontem o maior patamar em três anos (R$ 2,094).

O analista Adriano Pires, do CBIE, lembra que a Petrobrás não revela como é feito o cálculo do efeito do câmbio no balanço, o que dificulta projeções precisas.

No entanto, Pires destaca que o aumento do câmbio, assim como a falta de reajuste de combustíveis, contribui para a piora dos níveis de alavancagem da Petrobrás, abrindo possibilidade para rebaixamento da nota da companhia por agências de classificação de risco. "A relação geração de caixa/dívida piorou muito e está chegando ao limite técnico", disse. No caso dos custos, o impacto varia, por exemplo, de acordo com as flutuações diárias e as datas de fechamento de contratos sigilosos.

As importações de combustíveis também impactam o caixa, já que os preços internacionais não são repassados às bombas no Brasil. As perdas com esta defasagem de diesel e gasolina já passam de R$ 3 bilhões neste ano, segundo o CBIE.

Embora as perdas com o câmbio se sobreponham aos ganhos, a alta do dólar chega a ter um efeito positivo para a companhia, que exporta petróleo e derivados. De janeiro a setembro, a Petrobrás teve crescimento de 16% na receita de vendas (R$ 29 bilhões). O resultado, segundo o balanço da companhia, reflete, entre outros pontos, maiores preços praticados nas exportações e nas vendas no mercado interno para os derivados atrelados ao aumento do câmbio.

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