Alta do dólar deve pesar no bolso do consumidor

É só uma questão de tempo. Deve começar em breve a pesar no bolso do consumidor a alta do dólar. De acordo com especialistas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (Fipe-USP), produtores e comerciantes já estão repassando para os preços de alguns produtos os efeitos da disparada da moeda norte-americana. Produtos derivados do trigo e da soja já vêm sofrendo aumentos devido à variação cambial.O professor de economia da USP e coordenador-adjunto do Índice de Preços ao Consumidor da Fipe (IPC-Fipe), Juarez Rizzieri, explica que os segmentos mais sensíveis à alta do dólar são os combustíveis, farinha de trigo e o óleo de soja. "A alta do dólar tem um efeito direto sobre os custos destes produtos.", explica.Rizzieri afirma que a inflação encontra-se contida porque as empresas até o momento têm encontrado dificuldades paea repassar a alta devido à demanda retraída, provocada pela baixa renda da população. "Mas poderá chegar o momento que as empresas não terão mais como segurar o repasse para os preços", ressalta RemédiosO professor cita como exemplo o caso dos medicamentos, que possuem os preços congelados desde o último reajuste autorizado pelo governo de 4,32% concedido em janeiro deste ano. "As empresas deste setor poderão desrespeitar o congelamento, a partir do momento em que não conseguirem segurar a pressão dos custos dos insumos internacionais", alerta o coordenador da Fipe. Ele também destaca que os derivados do petróleo e eletroeletrônicos também poderão sofrer repasse automático da alta do dólar para seus preços.Óleo de soja já tem alta de 6,62%A gerente de sistemas de índices do IBGE, Eulina Nunes, ressalta que o segmento mais sensível à alta do da moeda norte-americana é o agroindustrial. "Os produtos derivados do trigo e da soja estão sofrendo os impactos diretos da alta do dólar", alerta. Ela destaca que a farinha de trigo, pão, macarrão e o óleo de soja já vêm sofrendo reajuste por causa da variação cambial dos últimos meses.De acordo com os dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE, o preço do óleo de soja subiu 6,62% em maio e junho. No mesmo período, o pão de forma comum teve alta de 2,42%, o macarrão subiu 1,45% e a farinha de trigo 1,31%. Outro destaque é alta do preço do botijão de gás neste período, que foi de 5,02%.

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