Alta do dólar é "coisa de mercado", diz Fraga

O presidente do BC, Armínio Fraga, disse que a alta do dólar hoje "é coisa de mercado". Ele explicou que, quando o governo divulgou que existe um teto de até US$ 3 bi para o Tesouro comprar este ano em mercado, quis mostrar que a situação em 2001 "é bem mais tranqüila do que no ano passado". Segundo Fraga, esse teto "é muito inferior ao valor que o Tesouro comprou no ano passado". Ele não revelou, no entanto, o volume de dólares adquirido pelo Tesouro no mercado no ano passado. Dentro deste total de US$ 3 bi, esclareceu ainda o presidente do BC, estão recursos de privatizações. Conta corrente - O presidente do BC explicou que a situação do balanço de pagamentos, a seu ver, está num "processo positivo, em que o investimento direto financia quase todo o déficit em conta corrente". Ele afirmou que a tendência é de gradual redução do investimento direto, mas também com gradual redução do déficit em conta corrente no longo prazo. Fraga lembrou que a balança comercial não teve os superávits esperados em 1999 e 2000, mas que também se esperava crescimento econômico zero para o Brasil nestes dois últimos anos, o que não ocorreu. "Não vivemos o processo de ajuste doloroso que vivenciaram alguns países asiáticos, com quedas de até 10% nos seus PIBs." EUA - Fraga afirmou que não vê "nada que enseje receio maior em relação à economia dos EUA". Para ele, a "desaceleração já é um fato, mas sem prejuízo de uma economia ainda muito vribrante". De acordo com Fraga, caso venha a se configurar "uma recessão de dois ou três trimestres, isso do ponto de vista do Brasil será compensado pela queda dos juros americanos, pelo preço do petróleo e pelos spreads de swap entre a libor e as Letras do Tesouro americano", afirmou. Juro- Para o presidente do BC, o País tem "condições de sonhar com a normalidade econômica e com taxa de juros real de um dígito no curto prazo". "Com um pouco de sorte, consolidamos isso ainda no Governo Fernando Henrique." Ele explicou que a redução da taxa de juros não depende apenas do BC, mas da situação macroeconômica em geral, inclusive envolvendo a questão fiscal e previdenciária. Declarações de Tasso - Armínio Fraga disse que não lhe cabe comentar a defesa que o governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB) fez de um "molho político" no BC e da posição virtual candidato à Presidência em 2002 contra a independência do BCl. "Não vejo nas declarações do governador nada que não deva ser discutido. Acho que esse assunto deve ser discutido pelo Congresso no âmbito da regulamentação do artigo 192 da Constituição (que trata do sistema financeiro)". Fraga afirmou ainda que o governo defende "um BC voltado para garantir um ambiente estável, previsível, livre de inflação e de juro alto. O que se propõe é dar à instituição esse objetivo e cobrar do Banco Central total transparência", afirmou. Fraga acrescentou que esse é um modelo bastante simples e uma visão bastante aceita no mundo inteiro. Reformas - Fraga, questionado se o Congresso vai parar o processo de reformas por causa de disputas políticas, afirmou que "o Congresso tem sido um lugar importante de contribuições e reformas corajosas e não vai parar". Fraga disse que "o Congresso sabe da importância que tem para nossa sociedade e quero crer que não nos deixará na mão". De acordo com ele, passada a fase de eleições para as presidências da Câmara e do Senado, "é preciso não deixar cair a peteca e o Congresso continuar apreciando temas que prometem mais crescimento e mais emprego", como a Lei das S.A., os projetos de lei da Previdência e a reforma tributária, citou. Sobre este último tema, Fraga afirmou que a decisão do governo é procurar quebrar o projeto da reforma tributária para que ele tenha mais chances de aprovação este ano. Ele afirmou também que a reestruturação do PIS e da Cofins para desonerar as exportações "é uma decisão de governo".

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