Alta do dólar e demanda fraca de aço fazem lucro da Gerdau cair quase 40%

Valorização da moeda americana, que levou a um aumento na dívida da siderúrgica, e a queda de 5,6% nas vendas de aço no primeiro trimestre, em função do cenário econômico mais fraco, provocaram um salto na alavancagem da companhia

FERNANDA GUIMARÃES , LUANA PAVANI, O Estado de S.Paulo

07 Maio 2015 | 02h03

Uma piora no resultado financeiro e operacional levou a Gerdau a registrar um lucro líquido de R$ 267 milhões no primeiro trimestre, valor 39,3% menor em relação ao mesmo período do ano passado, quando a siderúrgica teve ganhos de R$ 440 milhões.

O resultado financeiro ficou negativo em R$ 898 milhões, salto de 789,1% na comparação com primeiro trimestre de 2014. O desempenho foi pressionado pela variação cambial, com a desvalorização do real ante o dólar impactando a dívida em moeda estrangeira da empresa. A dívida liquida da empresa cresceu 32,4% em um ano para R$ 17,035 bilhões no intervalo de janeiro a março.

Com isso, não só a Gerdau, mas outras siderúrgicas como Usiminas e CSN (ver matéria abaixo), viram suas dívidas aumentarem e, ao mesmo tempo, observaram um recuo da geração de caixa, diante de um cenário de baixa demanda de aço no mercado. A consequência foi um salto na alavancagem, indicador que mostra a capacidade das companhias em pagar suas dívidas.

A alavancagem da siderúrgica, medida pela razão dívida líquida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), ficou em 3,2 vezes, ante um indicador de 2,5 vezes visto um ano antes. "Deveremos trabalhar com níveis mais próximos de 2,5 vezes. Temos esforços na área de capital de giro e entendemos que iremos conseguir reportar números melhores", disse o vice-presidente de Relações com Investidores da Gerdau, Andre Pires, em teleconferência com analistas.

Desinvestimentos. Segundo Pires, a companhia continua olhando oportunidades de levantar caixa, como, por exemplo, com a venda de ativos. "Não há planos, mas estamos atentos às oportunidades", disse.

A receita líquida da Gerdau caiu 1%, para R$ 10,447 bilhões no primeiro trimestre em relação a igual período de 2014. O destaque negativo ficou por conta da queda de 10,6% na receita das operações no Brasil e de 60,4% no faturamento com minério de ferro. Enquanto isso, na América do Norte, houve alta de 12% na receita líquida, e na América Latina crescimento de cerca de 8% sobre um ano antes.

Já o Ebitda totalizou R$ 1,089 bilhão, recuo de 8,9% na mesma base de comparação. Com o desempenho, a margem Ebitda da operação Brasil da Gerdau caiu de 20% no primeiro trimestre de 2014 para 15,8% ao final dos três primeiros meses deste ano. Na América do Norte a margem subiu de 2,1% para 6,2% e na operação de minério de ferro houve queda de 38,3% para 4,8%.

Em produção, a Gerdau teve queda de 4,7% no volume de aço bruto produzido pelo grupo, a 4,341 milhões de toneladas, com as vendas recuando 5,6%, a 4,143 milhões de toneladas. Na comparação com o quarto trimestre, a retração foi de 5,8%.

A empresa manteve projeção de investimento de R$ 1,9 bilhão para este ano, com aportes em melhoria de produtividade e em manutenção.

Para André Gerdau Johannpeter, presidente da siderúrgica, alguma melhora na demanda de aço no Brasil deverá acontecer no segundo semestre, mas "nada muito grande" já que o ano é de ajustes. "Estamos tendo juros altos, limitação de crédito o que leva a menos investimentos e isso passa pela construção civil, setor automobilístico, máquinas em geral. O cenário acompanha o PIB que tem projeções de queda entre 1% e 1,5%", afirmou. "Para os próximos meses, seguiremos, com cautela, acompanhando a evolução dos mercados em um cenário de excesso de capacidade instalada mundial e de incertezas econômicas no Brasil."

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