Alta do dólar já pesa no bolso dos consumidores

A alta do dólar já está pesando no bolso do consumidor brasileiro. A maioria dos setores da economia, que usam matéria-prima importada e, portanto, atrelada à moeda norte-americana, repassou o aumento de custos ao consumidor. Desde o início do ano, o dólar já subiu 17,3% - apenas nos últimos três dias, a alta acumulada é de 2,42%.Por conta disso, alguns itens da cesta básica já estão mais caros: o macarrão (alta de 12%); a bolacha maisena (alta de 5,33%); o queijo mussarela (alta de 17,14%) e o sabão em pó (alta de 8,1%). Caso o dólar continue em alta, alguns setores já planejam novos reajustes. Exemplo disso são os carros que, no próximo mês, devem chegar ao consumidor com um preço 2% maior. E os eletroeletrônicos, que podem ter reajuste de 9%.Alta no preço do trigo eleva preços de massasSegundo Alexandre Rodrigues, gerente de marketing da Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias (Abima), o setor de massas é altamente sensível às mudanças no câmbio. Há um mês, as indústrias do segmento reajustaram os preços em 8% e há duas semanas houve um novo repasse de 4%. "Se o dólar continuar aumentando, as massas devem subir outra vez em julho."O que causa a relação dos preços do setor de massas à variação do dólar é o trigo - matéria-prima usada nos produtos. Cerca de 80% do grão usado na indústria brasileira é importado. E, a cada aumento da moeda norte-americana, os preços para o consumidor sobem nas prateleiras. No entanto, muitos varejistas e comerciantes ainda não estão repassando o aumento, com medo de que as vendas caiam. Produtos importadosEm lojas de produtos importados, a alta do dólar também pode provocar elevação dos preços. No Empório Chiappetta, o quilo da azeitona chilena que custa R$ 16 deverá chegar a R$ 16,60 na próxima semana - alta de 3,75%. "Enquanto tivermos estoque, não vamos aumentar os preços", diz Eduardo Chiappetta, dono do empório. Ele diz também que bebidas, como o vinho, ficarão mais caras. Procura por viagens internacionais pode cairO preço das viagens nas agências de turismo também é influenciado pela alta do dólar. Às vésperas do feriado de 1º de maio e próximo às férias de inverno, as agências verificam queda na procura por viagens internacionais. Segundo a Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav), a previsão do início do ano de aumento de 10% das viagens para o exterior já está descartada.

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