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Alta do dólar já se reflete no turismo

Até ontem, saldo negativo mensal do gasto de brasileiros no exterior era de US$ 591 milhões, menos da metade do total de agosto, de US$ 1,3 bi

EDUARDO RODRIGUES , FERNANDO NAKAGAWA, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2011 | 03h07

A valorização do dólar ante o real nas últimas semanas já brecou a ânsia consumista dos turistas em viagens ao exterior. De acordo com dados divulgados pelo Banco Central, o rombo criado pelos gastos dos brasileiros fora do País em setembro, até ontem, era de apenas US$ 591milhões, bem inferior ao de agosto, quando os dólares deixados lá fora superaram em US$ 1,3 bilhão as despesas dos estrangeiros no País.

Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel, normalmente ocorre uma queda sazonal nas despesas dos brasileiros com viagens internacionais em setembro, mas o movimento indicado pelos números tem sido mais intenso do que o verificado em anos anteriores.

"Os gastos no exterior mostram arrefecimento mais significativo. A queda do déficit no mês já pode ser efeito do câmbio", avaliou Maciel.

Com o dólar barato, abaixo de R$ 1,60 durante a maior parte do mês de agosto, o saldo negativo em viagens naquele mês foi o pior da história para o período. Enquanto os estrangeiros gastaram apenas US$ 605 milhões no território brasileiro, os turistas daqui desembolsaram US$ 1,9 bilhão na aquisição de produtos e serviços no exterior.

Somente de janeiro a agosto o déficit na conta de turismo já acumulava US$ 9,81 bilhões. Com o passaporte na mão e o cartão de crédito no bolso, os brasileiros consumiram US$ 14,283 bilhões em outros países até agosto.

Mas os dados parciais de setembro mostram que até ontem os desembolso em hotéis, restaurantes e lojas no exterior somaram apenas US$ 969 milhões. O valor é praticamente a metade do gasto em agosto.

No sentido inverso, o movimento é semelhante, já que os visitantes deixaram no País US$ 378 milhões, também cerca da metade do obtido no mês anterior.

Maciel avaliou ser possível que os turistas estejam mais cautelosos nessas viagens. Segundo ele, boa parte dos brasileiros pode estar se planejando melhor ao comprar dólares antes do embarque. "Além disso, alguns devem estar esperando um momento mais propício para a compra da divisa", acrescentou.

Alta do IOF. Para o presidente da Associação Brasileiras de Agências de Viagens de São Paulo (Abav-SP), Edmar Bull, além do peso do câmbio, outro fator que tem limitado os gastos dos turistas é a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) no pagamento das faturas de cartão de crédito em compras no exterior.

Desde abril, o governo elevou a alíquota do tributo nessas operações para 6,38%. "Os brasileiros continuam gastando lá fora, mas os cartões pré-pagos viraram uma melhor opção. Só dá para usar o cartão de crédito quando o câmbio compensa", explica o executivo.

De fato, dados do Banco Central mostram que as compras no crédito representaram 56,7% do total gasto no exterior em setembro.

Em abril, antes do IOF maior, esse porcentual chegava a 61%. Para Bull, mesmo com a alta de 15,2% do dólar nos últimos 30 dias, as viagens internacionais ainda estão cabendo no bolso da classe média.

"A procura continua alta, tanto que 80% das vagas em pacotes para dezembro, janeiro e fevereiro já foram vendidas. Ainda dá para sair do País nesse período, mas os lugares disponíveis estão acabando", completa o presidente da Abav.

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