Alta do dólar pode puxar preço de eletrônicos

A desvalorização crescente do real em relação ao dólar, registrada desde o início de outubro, pode elevar o preço dos produtos eletroeletrônicos que têm boa parte de seus componentes importada. Isso porque a liquidação das compras desses componentes é feita pela cotação do dólar no dia em que o insumo chega ao País.Na LG, cerca de metade dos insumos é importada. De acordo com o diretor de Marketing da empresa, Mario Kudo, desde que o dólar passou de R$ 1,83 para R$ 1,97, os custos já subiram de 3,5% a 4%, em média. Ele informa que o repasse para os preços irá depender do comportamento do dólar nos próximos dias.A Panasonic enfrenta o mesmo problema. O diretor-comercial da empresa, Ruy Rodrigues Pena, prevê que se o dólar continuar em alta, será necessário reajuste nos preços a partir da segunda quinzena de novembro. Com isso, parte do impacto para o consumidor ocorreria em dezembro e meados de janeiro. Ele pondera que o tamanho do repasse dependerá da concorrência, das negociações com o varejo e de quanto os lojistas estarão dispostos a cobrar a mais do consumidor. Um dirigente de uma importante indústria do setor pondera que pode não haver aumento de preços. Isso porque o dólar pode recuar com a normalização da situação argentina. Além disso, acrescenta, o mercado não comporta aumentos e a maioria dos fabricantes fez hedge - compra de dólares ou títulos com correção cambial -, o que reduz o impacto nos custos.Outra preocupação do setor é o atraso no desembarque dos componentes. Depois da crise de setembro, quando houve indústrias que paralisaram a produção, há fabricantes que estão trabalhando sem estoques de insumos importados. Isso poderá colocar em risco as entregas para o Natal, avalia um especialista.Alimentos e bebidasA alta do dólar provoca reações diferenciadas entre os importadores de vinhos e alimentos. O diretor da Casa Santa Luzia, Jorge Conceição Lopes, por exemplo, diz que pretende reajustar entre 7% e 10% os preços. Ele projetava que o dólar chegaria em dezembro cotado a R$ 1,75. "Fomos pegos no pico do desembarque."Já o presidente da Expand, Otávio Piva de Albuquerque, diz que vai manter os preços, apesar da alta do dólar, porque não acredita que o câmbio irá se consolidar nesse nível atual. Ele projetou para dezembro uma cotação de R$ 1,95 e as suas importações serão liquidadas só em 2001.

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