Alta do dólar pode ser repassada a bens duráveis

Os repasses da alta do dólar para os preços ao consumidor, concentrados especialmente nos alimentos em agosto, poderão espalhar-se para outros produtos nos próximos meses. O coordenador da unidade de política econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, disse que ?em algum momento esse aumento vai acontecer, mas não é possível saber quando e quanto?.Segundo ele, a partir do momento em que o dólar atingir um novo patamar mais estável, os reajustes deverão ocorrer lentamente e por etapas e, além disso, estarão limitados pela demanda reduzida no País. Castelo Branco avalia que o repasse para os alimentos ocorre de maneira mais imediata porque o impacto do dólar é direto sobre esses produtos, especialmente as commodities, como soja e trigo.No caso de outros segmentos, como bens duráveis, também há aumentos de custos de alguns componentes, mas a ?economia semi-estagnada? vem adiando os repasses. ?As empresas estão estudando a situação com cautela?, disse.No caso do varejo, o repasse da alta do dólar para os produtos alimentícios deve permanecer ainda em setembro, com efeito sobre a inflação do mês, segundo avalia a economista da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Suzanne Bouchardet.Segundo ela, os repasses não deverão ocorrer no mesmo ritmo de agosto, mas haverá ?algum resquício?, mesmo com a estabilidade da moeda americana no patamar acima de R$ 3. A economista acredita que o aumento dos preços no varejo de alimentos só ocorreu em agosto porque o impacto do dólar foi ?muito forte?.Segundo ela, esse segmento tem poder de negociação com os fornecedores, e os reajustes aconteceram porque ?não houve jeito?. Por outro lado, ao contrário de Castelo Branco, ela avalia que não haverá repasses no caso de outros segmentos, como no varejo de bens duráveis. ?A venda desses produtos já está complicada por causa da dificuldade de crédito e dos juros elevados, além da renda estagnada. O repasse fica muito difícil?, afirma.Suzanne acredita que poderão ocorrer alguns momentos pontuais em conseqüência do aumento da demanda nas vendas de fim de ano, mas não serão significativos ou generalizados. Ela acredita que o aumento dos preços dos alimentos desviou ainda mais a renda que poderia ser gasta nos bens duráveis, tornando ainda mais improvável um aumento nos preços desses produtos.

Agencia Estado,

11 de setembro de 2002 | 18h29

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.