Alta do dólar prejudica quem usou cartão

O período alegre de férias e viagens ao exterior passou e, para muitos turistas, agora é a hora amarga de quitar as dívidas feitas em dólar, principalmente em compras no cartão de crédito. Com a escalada da cotação do dólar superior a 10% este mês, o valor original projetado para o pagamento também deu um salto. Serão necessários muito mais reais para pagar a fatura.Tem mais. Não é possível parcelar, como ocorre com os gastos com cartão feitos em real, em que se pode pagar o valor mínimo de 20% e parcelar o restante. As dívidas em moeda estrangeira são enviadas em um extrato à parte e devem ser pagas integralmente até a data-limite de quitação.O valor devido será convertido em reais. Se não for pago até o vencimento, diferentemente da conta normal, não sofrerá correção pelo crédito rotativo, que é em média de 10%, mas será considerado pagamento em atraso, o que leva, em geral, a um aumento de dois pontos porcentuais sobre a taxa do primeiro do primeiro. Portanto, se o valor gasto já estiver acima das possibilidades financeiras do consumidor, a dificuldades poderá aumentar com a aplicação dos juros do cartão.Nesse caso, a advogada da Associação Nacional dos Usuários de Cartão de Crédito (Anucc), Kássia Corrêa, recomenda que o consumidor procure obter os recursos que faltam em outra fonte mais em conta, como o crédito pessoal. "Com o aumento do dólar e com os juros mensais do cartão de crédito, a dívida pode-se tornar impagável", comenta. O juro no crédito pessoal está oscilando entre 3% e 6% ao mês.O presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, diz também que, quando uma das partes não pode cumprir um acordo financeiro, é comum que se negocie uma forma de parcelamento ou abatimento da dívida.A Assessoria de Imprensa da administradora de cartões Credicard, que tem cerca de 8 milhões de clientes no País, e a advogada da Anucc afirmam que as administradoras não são obrigadas a negociar. Embora procurem fechar um acordo, por ser mais interessante receber parte da dívida do que não receber nada, completam.Kássia acrescenta que o consumidor pode conseguir parcelamentos em até 36 meses, mas terá de arcar com altas taxas de juros. Já Oliveira diz que é possível que as taxas a serem pagas caiam pela metade. "Depende muito da negociação."A advogada da Anucc lembra ainda que, em fevereiro de 99, quando o câmbio se tornou flutuante e o dólar disparou, as administradoras de cartões promoveram acordos para casos dessa natureza. Ela já enviou à Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Crédito (Abecs) pedido para que isso se repita.O que fazerO dólar está com pinta de alta e Oliveira, da Anefac, recomenda a quem for viajar ao exterior que não faça dívidas pós-fixadas em moeda estrangeira. Ele comenta que é melhor comprar o dólar antes de embarcar e não ficar sujeito a alterações da cotação da moeda norte-americana.Kássia aconselha que os usuários de cartão em geral, e não apenas em compras no exterior, estejam sempre atentos ao seu orçamento. "O consumidor não deve se comprometer com dívidas que não pode pagar e precisa se proteger contra instabilidades econômicas como a atual."

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