Alta do dólar pressiona ainda mais os custos

Empresa deve pagar suas importações à vista para atenuar os impactos da recente valorização da moeda norte-americana

CAROLINA DALLOLIO, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2011 | 03h07

As empresas que se ancoravam no dólar barato para atenuar as pressões nos custos precisam mudar de estratégia. A moeda norte-americana se valorizou rapidamente no mês e passou do patamar de R$ 1,80.

Em tempos de inflação alta, muitas empresas (especialmente as indústrias) se valeram do real valorizado para importar matérias-primas e produtos a bons preços para equilibrar os custos e manter a competitividade sem comprometer ainda mais as já apertadas margens de lucro.

Tal pratica terá de ser aposentada por uns tempos, afinal, os economistas são unânimes ao dizer que a escalada do dólar ainda não tem data para terminar. Para as empresas exportadoras, isso não deixa de ser um alento. Mas para os demais negócios, a valorização da moeda norte-americana pode representar um problema adicional.

Tudo porque, além de complicar a vida das empresas que se apoiavam nas importações para equilibrar os custos, a alta do dólar deverá ter forte impacto na inflação ao consumidor, especialmente nos preços dos alimentos e produtos manufaturados. "Será uma forte pressão inflacionária", conclui Fábio Silveira, da RC Consultores.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15), referente ao período entre 15 de agosto e 15 de setembro, registrou inflação de 0,53% - o dobro da taxa apurada na coleta anterior. Alimentos e transportes puxaram a alta, mas os dados também mostraram uma disseminação dos reajustes em vários outros produtos. Entre todos os itens analisados pelo indicador, mais da metade deles(66,3%) subiu de preço.

O cenário de inflação em alta não é algo novo. Só vem se agravando ao longo dos últimos tempos - a taxa acumulada é de 7,23% nos últimos doze meses terminados em agosto. E os aumentos têm exigido criatividade por parte dos empresários, seja para cortar custos ou inovar, alternativas possíveis para o empreendedor não achatar ainda mais suas margens de lucro.

O novo componente que surge no cenário é o dólar forte. "Neste caso, a primeira medida a tomar é parar de contrair dívidas na moeda norte- americana", avisa José Carlos Luxo, professor do Programa de Capacitação da Empresa em Desenvolvimento da Fundação Instituto de Administração (ProCED/FIA).

Natal

A exceção fica por conta das compras de Natal. "Quem ainda precisa adquirir produtos e matérias-primas para suprir a demanda de fim de ano deve fazer isso agora", recomenda Luxo. "Mas é preciso se esforçar para pagar tudo à vista, evitando cotações ainda mais altas", completa.

Já os empreendedores com dívidas cujo pagamento pode ser protelado deve esticar ao máximo esses prazos. Até porque a tendência de longo prazo é que os juros caiam, a inflação arrefeça e o real volte a se valorizar.

"Além disso, com o agravamento da crise na Europa e nos Estados Unidos, é natural que os preços em dólar caiam e compensem a alta que a moeda vem registrando por aqui", analisa o economista Francisco Pessoa, da LCA Consultores. "Os empresários devem ser cautelosos, é claro. Mas também não devem se aterrorizar porque o ano que vem não será tão ruim assim", finaliza Pessoa.

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