Alta do dólar pressiona os alimentos

Os alimentos foram os vilões da inflação medida pelo Índice do Custo de Vida do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (ICV-Dieese) em agosto. No mês passado, o indicador fechou com alta de 0,40%, ante 1,34% em julho e os alimentos responderam por 0,38 ponto porcentual.Exceto o feijão, cujo preço subiu 8,78% por causa da oferta menor, o aumento das cotações dos demais alimentos resultou no mês passado da pressão do dólar. A farinha de trigo subiu 7,04%; o pão francês, 5,32%; o óleo de soja e de milho, 6,64%; o frango, 3,29% e a carne bovina aumentou 3,75% em agosto."O resultado de agosto ficou dentro do previsto", diz a coordenadora do ICV-Dieese, Cornélia Nogueira Porto. Para este mês a perspectiva é de que o índice gire em torno de 0,10%. No ano, o indicador acumula alta de 4,68% e de 7,45% em 12 meses. A projeção da economista para 2002 está mantida em 8%.No mês passado, o que contrabalançou a alta dos alimentos foi o recuo dos preços do transporte (-0,51%), da saúde (-0,69%) e do vestuário (-0,66%). O gás de botijão, por exemplo, ficou 4,68% mais barato e os combustíveis tiveram queda de 1,87%.Ao contrário do IPC-Fipe, que registrou em agosto a maior alta do ano puxada pelo reajuste das tarifas, o ICV-Dieese computou em julho o aumento dos preços administrados, quando o índice atingiu 1,34%. Cornélia explica que a diferença entre os dois indicadores se deve à metodologia, apesar de ambos se referirem aos preços coletados no município de São Paulo.Enquanto o ICV-Dieese incorpora os aumentos de preços a partir do mês que eles passam a valer, isto é, de acordo com o regime de competência, a metodologia do IPC-Fipe considera os aumentos na inflação quando o consumidor efetivamente paga a conta com reajuste.

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