Alta do dólar recai sobre itens da cesta básica

O impacto da alta do dólar está disseminado entre a maioria dos itens que compõem a cesta básica do paulistano. Pesquisa do Procon-SP e do Dieese, que coleta diariamente os preços de 31 produtos em 70 supermercados da capital paulista, mostra que nos últimos 30 dias o custo médio da cesta básica composta por produtos que são influenciados direta ou indiretamente pelo câmbio subiu 1,94%. Nesse mesmo período, a cotação da cesta básica completa teve alta de 3,91%."Quando o dólar sobe, ninguém segura a cesta básica", afirma a técnica de Estudos e Pesquisas do Procon, Neide Ayoub. Para avaliar o impacto do dólar na cesta básica, ela excluiu batata, feijão e cebola, que registraram aumentos significativos nos últimos 30 dias - de 20,29%, 28% e 24%, respectivamente. É que os preços desses produtos não são influenciados pela variação do câmbio, mas refletem os movimentos de oferta.A responsável pela pesquisa da cesta básica aponta outro indício de que os aumentos são generalizados. Em 30 dias, dos 31 produtos pesquisados, 26 tiveram aumentos de preço, quatro registraram queda e apenas um ficou estável no período. Ela observa também que a magnitude das altas da cesta básica tem sido maior do que das quedas. "Além disso, os aumentos são mais freqüentes."Entre os itens que refletem o repasse da alta dos custos em dólar para os preços ao consumidor, estão a farinha de trigo e o macarrão, que ficaram 5,8% e 4%, respectivamente, mais caros nos últimos 30 dias. Os dois itens sofrem o impacto do trigo importado.As carnes bovina, de frango e derivados, como salsicha e lingüiça, constituem outro foco de pressão. O frango subiu quase 10% em 30 dias e a carne de segunda 1,14%, mostra a pesquisa. Segundo Neide, com o dólar mais valorizado, os frigoríficos ampliaram as exportações e colocaram menos produto no mercado interno, o que impulsionou os preços. Também os custos dos pecuaristas, como vacinas, são cotados em dólar, o que reforçou a alta de preços.O óleo de soja, que subiu 7,69% em 30 dias, mostra a alta do câmbio. "Não há motivos para essa alta, não estamos no período de entressafra de grãos", diz Neide. O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), César Borges Sousa, confirma que o câmbio é o principal responsável pela subida do óleo de soja, commodity cotada em dólar.No segmento de higiene e limpeza, os aumentos de preços ao consumidor são significativos. Em 30 dias, o sabão em barra subiu 3,70%; o sabonete, 9,68% e o absorvente higiênico, 13,41%. Jackson Schneider, presidente da Abipla, que reúne as empresas de limpeza, diz que o setor enfrenta grandes pressões de custos, como o da soda cáustica, cujo preço subiu 118% em 12 meses. "Trata-se de um insumo nacional usado em várias formulações, mas segue a cotação em dólar do mercado externo", diz o executivo. Ele diz não ter informações de como as empresas estão repassando aumentos de custos para os preços. Para o presidente do Sipatesp, que reúne fabricantes de artigos de perfumaria, João Carlos Basílio da Silva, os aumentos de preços constatados em seu segmento ainda não refletem o dólar, mas aumento de impostos.

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