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Alta do IBC-Br não impede nova queda no PIB no 4º tri, dizem analistas

Melhora do índice de atividade do BC indica, no máximo, um recuo menos intenso da economia no último trimestre do ano passado

Thaís Barcellos, Maria Regina Silva, Ricardo Leopoldo, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2017 | 14h28

O avanço de 0,2% no Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de novembro após queda de 0,15% em outubro, conforme dado já revisado pelo BC, é positivo, mas não deve reverter a tendência de nova retração no Produto Interno Bruto (PIB) no quarto trimestre, conforme analistas consultados pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real da Agência Estado.

A leve melhora no indicador de atividade já era esperada pelo mercado, como mostrou a pesquisa do Projeções Broadcast, na qual o intervalo de expectativas variava de retração de 0,37% a alta de 0,46%.

A perspectiva um pouco mais favorável era baseada nas sutis altas em novembro da produção industrial (0,2%) e da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), de 0,1%, e do avanço mais substancial, porém pontual, do varejo (2%) na margem, ajudado pelas vendas da Black Friday, segundo especialistas.

No trimestre até novembro, no entanto, o IBC-Br acumula queda, na média, de 0,55% na comparação com o desempenho de junho a agosto. Esse recuo sinaliza uma retração próxima a 0,5% no PIB do quarto trimestre, segundo cálculos do economista-chefe do Icatu Vanguarda, Rodrigo Melo. No confronto interanual, o IBC-Br caiu 2,02%.

A expectativa de declínio no PIB do último trimestre de 2016 também consiste na avaliação de que a atividade em dezembro não deve mostrar resultado muito animador. "Grosso modo deve ser o espelho de novembro", diz Marco Caruso, economista do Banco Pine. Segundo ele, os indicadores devem ser mistos, com o varejo devolvendo a alta de novembro, mas com a indústria acelerando de forma mais expressiva, conforme alguns indicadores antecedentes.

O Bradesco acrescenta a expectativa de que o setor de serviços continue com desempenho fraco, diante da desalavancagem das empresas e das famílias e da elevação da taxa de desemprego. O banco confirmou, em nota após a divulgação do IBC-Br, sua previsão de recuo no PIB de 0,8% no quarto trimestre, exatamente a mesma queda registrada no trimestre anterior.

O economista Hélcio Takeda, da Pezco, avalia que o resultado positivo do IBC-Br de novembro pode até atenuar a queda no PIB do quarto trimestre, mas não evitá-la. "Tem chance de ser pouca coisa menos negativa, mas, de todo modo, ainda pode ser queda. Apenas deve reduzir a intensidade. Não é aquele número que muitos esperavam há alguns meses, que indicaria alguma recuperação", diz ele que estima atualmente declínio de 0,2%.

Para este ano, Takeda crê que a redução no nível dos estoques prossiga e ajude a estimular a retomada econômica, assim como espera que os efeitos do recuo na taxa de juros contamine a economia em algum momento do primeiro semestre. "A reação econômica à queda da Selic é demorada, mas deve trazer perspectiva positiva à frente para o empresário, evitando a confiança de cair. Nossa estimativa é que a confiança suba", afirma.

A melhora na confiança deve contribuir com a indústria e provocar um retorno dos investimentos já no primeiro trimestre deste ano, para Luiz Castelli, economista da GO Associados. Dessa forma, segundo ele, o PIB do período deve mostrar uma estabilização e depois começar a crescer, encerrando o ano com alta de 0,8%, com a ajuda também de boas safras agrícolas.

A MCM Consultores avalia, contudo, que ainda é cedo para falar em retomada econômica no curto prazo, dado que a produção do setor automotivo não deverá ter números fortes em 2017, fator negativo para indústria. "A piora do mercado de trabalho ainda afetará o desempenho do varejo e do setor de serviços nos próximos meses", acrescentou em nota a consultoria.

O desempenho ruim da economia em 2016 ainda deve produzir um carrego estatístico negativo para o PIB de 2017. Pelos cálculos de Melo, da Icatu, o carry over deve ser de -0,9% caso sua projeção de recuo de 0,5% no quarto trimestre se confirme.

"Neste contexto de economia fraca, com a inflação atingindo a meta de 4,5% neste ano, o Banco Central deverá realizar mais 3 reduções da Selic de 0,75 ponto porcentual, seguidas de 2 baixas de 0,50 ponto porcentual e uma última baixa de 0,25 ponto porcentual, o que levará os juros a 9,5% no encerramento de 2017", comenta.

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