Alta do IGP-M de julho é pontual, diz FGV

A alta de 1,34% do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de julho foi impulsionada por reajustes de commodities e combustível e, segundo o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, tem caráter pontual. De acordo com ele, no curto prazo o IGP-M deve desacelerar gradativamente, ainda com participação de itens como o diesel, que só teve parte do reajuste repassada. "A disparada ocorrida neste mês foi pontual", garantiu.

WLADIMIR D'ANDRADE, Agencia Estado

30 de julho de 2012 | 14h19

Soja e derivados foram responsáveis por 1,09 ponto porcentual da alta de 1,81% em julho do Índice de Preços ao Produtor Amplo - Mercado (IPA), que é um dos índices que compõem o IGP-M. Apenas as commodities em grãos representaram 0,81 ponto porcentual do IPA. "Se considerarmos que o IPA representa 60% do IGP-M, a soja respondeu por quase 1/3 do aumento do IGP-M de julho", afirmou o economista, em entrevista coletiva em São Paulo. Até julho, a soja em grão acumula alta de 62,63% no ano, maior nível para o período desde o lançamento do Plano Real, em 1994. O aumento de 14,89% da soja em julho foi a maior variação mensal desde outubro de 2002.

Para Quadros, as recentes informações sobre a seca nos Estados Unidos provocaram novos repasses de preços da soja no mercado internacional. O mesmo ocorreu com o milho, que também sofre com problemas climáticos e apresentou alta de 6,74% no IPA em julho ante queda de 3,95% em junho.

O economista disse que a quebra de safra desses produtos provocou reflexos em outras commodities, utilizadas em substituição aos grãos afetados. É o caso, por exemplo, do trigo, que até o sétimo mês deste ano acumula alta de 8,96%. "O pão francês já começou a subir", citou Quadros, como exemplo de reflexo das commodities internacionais para o consumidor. O pão francês acelerou de 0,42% em junho para 1,95% em julho.

O IPA de julho sofreu também com a alta dos combustíveis, que desta vez não pôde ser compensada pela isenção na Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide). O diesel respondeu por 0,16 ponto porcentual no IPA de julho e a gasolina, por 0,12 ponto porcentual. Salomão explicou que uma pressão de alta decorrente do aumento no preço do diesel ainda deve aparecer em agosto - o reajuste de 6% teve apenas 1/3 repassado em julho. "O diesel terá um efeito indireto sobre os produtos que chegam ao consumidor, mas nada que vá desgovernar o índice", afirmou.

Com o resultado de julho, o IGP-M voltou a acelerar no acumulado de 12 meses, atingindo 6,67%, ante 5,14% registrados em junho. No entanto, Quadros afirma ser pouco provável que o IGP-M em 12 meses volte para a casa dos 11% verificados ao final de 2010 e início de 2011 porque as influências positivas agora são sazonais e também porque há um impacto menor do câmbio. "A tendência do IGP-M é desacelerar já em agosto", afirmou Quadros.

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