Alta do IGP-M em 12 meses é de 15,12%

Índice que reajusta contratos de aluguel subiu 1,76% em julho, mas mercado já vê sinais de desaceleração

Francisco Carlos de Assis, O Estadao de S.Paulo

31 de julho de 2008 | 00h00

A inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), da Fundação Getúlio Varga, subiu menos em julho. A alta foi de 1,76%, ante 1,98% em junho. A desaceleração estabelece, na avaliação do coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros, uma trajetória sólida. Multimídia: entenda os principais índices de inflação Veja a Selic no governo LulaIsso porque 80% dos itens que compõem o IGP-M registram aumentos menores de preços. "É uma desaceleração consistente, apesar de ainda existirem alguns focos violentos."Os três componentes do índice - preços no atacado, varejo e construção civil - contribuíram para a perda de ritmo. O Índice de Preços por Atacado (IPA) subiu 2,20% em julho, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), 0,65%, e o Índice Nacional de Custo da Construção, 1,42%.Até julho, o IGP-M, utilizado para os reajustes de aluguéis, acumula elevações de 8,71% no ano e de 15,12% em 12 meses. A queda do nível da inflação foi saudada pelo mercado, mas ainda está distante do ideal. Uma taxa mais tranqüilizadora seria um IGP-M abaixo de 1%, o que, para o economista da MB Associados Sérgio Vale, só ocorrerá a partir de setembro. A taxa de julho ficou abaixo do esperado pela MB, que previa 1,80%, e dentro da média de expectativas do mercado. "De qualquer forma, foi um resultado positivo", analisou Vale.Para ele, essa desaceleração tem muito da influência do desconto de cerca de 3,5% na alíquota do PIS/Cofins incidente sobre a conta de luz. Esse desconto acabou compensando, em parte, a pressão do aumento médio de 8,6% na tarifa de eletricidade. "Por causa disso, o grupo Habitação saiu de uma alta de 0,41% em junho para 0,39% agora em julho", afirmou Vale.No IPC, o grupo Alimentação reduziu a inflação de 2,20% para 1,41% e no INCC, a maior contribuição veio da mão-de-obra, que desacelerou de uma alta de 3,75% em junho para 1,27% neste mês. "Mas, quando chegamos no IPA, a desaceleração é pequena", avaliou Quadros, referindo-se à queda de apenas 0,07 ponto porcentual no IPA.No atacado, os preços agrícolas dos dois principais grãos (soja e milho) receberam um forte aumento de preços, de 9,38% e 11,64%, respectivamente. "Foram duas pancadas que fizeram com que IPA Agrícola subisse bastante", afirmou Quadros sobre a alta de 3,69% desse componente do IGP-M. "Na agricultura, tem ainda o efeito dos bovinos, que, apesar de terem subido 7,59% ante 9,54% em junho, ainda continuam em um nível muito elevado."Os preços dos fertilizantes, um dos principais canais de repasse de preços, subiram 1,19% em julho, ante 8,52% em junho. "É uma boa redução para um grupo que subiu 86% em 12 meses", disse Quadros.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.