Alta do juro afetará emergentes, diz FMI

Para Lagarde, volatilidade que atingiu mercados em 2013 poderá voltar quando o Federal Reserve voltar a elevar as taxas básicas dos EUA

MUMBAI, ÍNDIA, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2015 | 02h05

MUMBAI, ÍNDIA - A volatilidade que atingiu os mercados emergentes em 2013, após o Federal Reserve (Fed, banco central americano) dizer que estava se preparando para apertar sua política monetária, poderá voltar quando a instituição começar a elevar os juros, disse a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde.

"Temo que isso não seja um episódio isolado", disse Lagarde, em discurso no Banco Central da Índia. "Isso porque o momento da elevação da taxa básica de juros e o ritmo dos aumentos subsequentes ainda podem surpreender o mercado."

Segundo a diretora-gerente do FMI, o que ela chamou de "taper tantrum" (volatilidade no mercado causada pelo medo de aperto de liquidez) - que irritou os mercados asiáticos e desvalorizou as principais moedas da região em relação ao dólar - poderá ser pior da próxima vez por causa da grande quantidade de liquidez no sistema financeiro global. Enquanto o Fed está começando a enxugar a liquidez, o Banco Central Europeu (BCE) acaba de começar um novo programa de relaxamento monetário e o Banco do Japão continua com sua flexibilidade.

China. O secretário do Tesouro dos EUA, Jacob Lew, criticou ontem o apoio de países europeus ao banco de desenvolvimento liderado pela China (ler matéria nesta página). Lew questionou se a nova instituição, conhecida como Banco de Investimento de Infraestrutura da Ásia, vai seguir padrões de conduta e combate à corrupção necessários.

"Nossa preocupação é: o novo banco vai aderir aos altos padrões que as instituições financeiras internacionais desenvolveram?", disse durante audiência no Congresso. "Ele vai proteger os direitos dos trabalhadores, o meio ambiente?" "Espero que, antes que as assinaturas para a participação no AIIB sejam feitas, os que concordaram em emprestar seu nome ao banco possam resolver essas questões", disse, em referência ao Reino Unido, Alemanha, França e Itália, que confirmaram querer fazer parte dos países fundadores do banco.

O apoio da Europa ao banco de desenvolvimento asiático pode ser um ponto de atrito entre os EUA e seus aliados no Atlântico. Lew e outros membros do governo americano também têm alertado que os EUA estão perdendo influência no FMI. "Nosso constante fracasso em aprovar as reformas de cotas e governança do FMI estão levando outros países, incluindo alguns dos nossos aliados, a questionar o nosso compromisso com o FMI e outras instituições multilaterais que trabalhamos para criar", disse Lew.

O secretário alertou que o Congresso está prejudicando os interesses econômicos e de segurança nacional ao não aprovar revisões da estrutura de governança no Fundo. "A nossa credibilidade e influência internacional estão sendo ameaçadas."

A aprovação americana às reformas de governança do FMI - o que aumentaria a influência da China e outros países emergentes no Fundo a um nível mais compatível com o seu novo peso econômico - "é fundamental para o reforço da posição central do FMI, especialmente em um momento que outros estão estabelecendo novas instituições financeiras e paralelas", disse ele.

Segundo Lew, "as reformas do FMI vão ajudar a convencer as economias emergentes a permanecerem ancoradas no sistema multilateral que os EUA ajudaram a projetar e continuam a liderar". / Dow Jones Newswires

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