Alta do juro elevou dívida interna em R$ 148,67 bi até novembro

No mês passado, a dívida interna fechou em R$ 1,75 trilhão, com alta de 1,15% em relação a outubro

ADRIANA FERNANDES , RENATA VERÍSSIMO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2011 | 03h06

A dívida pública federal interna sentiu o peso da política de alta dos juros promovida pelo Banco Central (BC) no início do ano e cresceu R$ 148,67 bilhões até novembro. O impacto dos juros no estoque da dívida alcançou no período R$ 191,4 bilhões.

O aumento da dívida não foi maior do que a correção dos juros porque o Tesouro Nacional decidiu reduzir ao longo de 2011 a oferta de papéis com rentabilidade atrelada à taxa Selic e também os títulos prefixados com vencimento de até um ano.

Essa estratégia levou a um volume de resgate superior ao de novas emissões de títulos, o que garantiu uma queda de R$ 51,9 bilhões da dívida. Para isso, o Tesouro utilizou recursos que tinha em caixa.

Em novembro, a dívida interna fechou em R$ 1,75 trilhão, com alta de 1,15% em relação a outubro. Já a dívida externa teve um aumento de 9,45%, fechando o mês em R$ 80,92 bilhões.

A dívida vai aumentar também em dezembro, porque o Tesouro liberou mais um empréstimo ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de R$ 15 bilhões.

Outros R$ 10 bilhões deverão ser repassados provavelmente em janeiro, segundo informou ontem o coordenador de Operações da Dívida Pública, José Franco de Morais.

Mesmo com a redução da taxa Selic a partir de agosto, o custo médio da dívida ainda permanece elevado. No acumulado em 12 meses até novembro, o custo atingiu 12,6%.

Esse nível é bem mais alto do que a taxa Selic (hoje em 11%), porque a queda dos juros demora para surtir efeito no estoque da dívida. Além disso, a inflação mais elevada ao longo do ano também pesa na conta dos custos da dívida.

De acordo com Morais, a gestão da dívida pública está confortável mesmo nesse momento de crise internacional. "Continuamos fazendo os nossos leilões com resultados muito bons.".

Segundo ele, caso haja uma piora da crise o Tesouro tem um colchão de liquidez que permite ao governo ficar seis meses sem vender títulos nos seus leilões semanais. Outra vantagem, destacou ele, é que a maior parte da dívida interna é rolada por investidores locais. Apenas 11,4% do total da dívida está na mão dos investidores estrangeiros.

IOF. Os investidores estrangeiros que esperavam um alívio no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre as aplicações em títulos públicos, como ocorreu com ações e debêntures de longo prazo, não serão atendidos. Pelo menos, no curto prazo.

O coordenador do Tesouro informou que não há estudos no governo para a redução do tributo Segundo Morais, mesmo com o dólar mais alto não há necessidade de mudança.

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