Alta do juro para conter inflação pode segurar PIB, diz CNI

Confederação alerta para concentração para conter consumo doméstico em contexto de pressões externas

Renata Veríssimo, da Agência Estado,

09 de junho de 2008 | 12h46

Depois de o Banco Central elevar a taxa básica de juros, a Selic, para 12,25% ao ano na última semana, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) alerta que concentrar todo esforço da política monetária para conter o consumo doméstico pode levar a um aumento severo dos juros e provocar uma desaceleração nas taxas de crescimento da economia.  Veja também:Entenda a crise dos alimentos   Entenda os principais índices de inflação Confira a evolução da Selic desde o início do governo Lula "Num contexto em que parcela expressiva da pressão sobre os preços é externa, atribuir à demanda privada o esforço para conter todo o aumento da inflação pode induzir a uma elevação substancial dos juros, o que trará impactos muito negativos sobre o crescimento econômico", afirma um estudo elaborado pela Unidade de Política Econômica da entidade, no qual as taxas de inflação e de crescimento do Brasil são comparadas com as de outros países. O economista da CNI e autor do estudo, Paulo Mol, defende o uso da margem de tolerância da meta de inflação. "Se o Banco Central mirar no centro da meta, ele vai ser muito rigoroso seja em magnitude ou em longevidade no aumento das taxas de juros", afirmou ao Estado. Para ele, esta calibragem existe para ser usada em momentos como o atual de cenário internacional complexo. "Não é nada vergonhoso caminhar por esse intervalo", disse o economista. A meta de inflação para 2008 e 2009 é de 4,5% ao ano, com uma margem de tolerância de dois pontos porcentuais para baixo ou para cima. O mercado já projeta uma inflação de mais de 5% para este ano. A CNI recomenda a redução dos gastos do governo para evitar que a restrição monetária seja aprofundada. "Com uma política fiscal menos expansiva, abre-se espaço para que o aperto da política monetária seja menos severo, preservando a expansão dos investimentos privados e o ritmo do crescimento econômico", diz a nota econômica elaborada por Mol. Pressão diferente O economista lembra que a pressão inflacionária neste momento é diferente da que existia nas décadas de 80 e 90, quando o mundo tinha a inflação sob controle e o Brasil registrava taxas estratosféricas. O estudo mostra que enquanto o ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro se aproxima da média de expansão dos países emergentes, o nível de preços brasileiro recua para quase metade da taxa média dos emergentes e se aproxima da inflação de países desenvolvidos. Para a CNI, o dilema atual é escolher entre um dos caminhos: permitir que a economia brasileira convirja para taxas de crescimento dos países emergentes, acomodando a tendência internacional de inflação mais alta; ou conter a tendência internacional de aumentos dos preços mesmo que para isso o Brasil volte a se afastar das taxas de crescimento econômico dos países emergentes. Segundo o levantamento da entidade, a inflação brasileira acumulada em 12 meses, encerrados em abril, só é maior que a do México, dentre os países da América Latina. O estudo mostra também que, conjugado à inflação baixa em relação a seus pares emergentes, o Brasil crescerá em 2008 mais que a média mundial pelo segundo ano consecutivo, fato não registrado há 13 anos. Para a CNI, o grande desafio da política econômica é agir de forma a conter o aumento dos preços preservando o crescimento econômico. Mol avalia que o anúncio do governo sobre a criação de um fundo fiscal, composto com o excesso de arrecadação deste ano, em torno de R$ 13 bilhões, já é um fato positivo. Ele acredita que o aumento informal do superávit primário (economia do governo) em 0,5 ponto porcentual do PIB para formar o Fundo Soberano já é um sinal de contenção do aumento da demanda provocado pelos gastos do governo.

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