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Alta do mínimo puxa reajustes acima da inflação

Reajuste do salário mínimo deste ano, que bateu em 7,2%, é o parâmetro os pisos das categorias 

Marcelo Rehder, de O Estado de S. Paulo,

30 de abril de 2012 | 23h00

O poder de barganha dos trabalhadores, que estão obtendo reajustes salariais acima dos verificados em 2011, foi reforçado pelo reajuste de 14% (aumento real de 7,2%) no valor do salário mínimo. Quando o mínimo sobe, os pisos e os salários mais baixos aumentam a taxas semelhantes, pois não podem ficar menores que o salário mínimo.

Em Montes Claros (MG), as negociações entre o sindicato dos comerciários e o dos patrões resultaram em reajustes entre 14% e 16,6% para trabalhadores que ganham o piso da categoria, o que representa ganho real de 8,45% a 11%. Para os que recebem acima do piso, o reajuste foi de 10% (aumento real de 4,37%). O sindicato representa quase 20 mil comerciários, cuja data-base é 1º de fevereiro. "Foi um dos maiores aumentos reais dos últimos anos", diz Osanan Gonçalves, presidente do sindicato.

Já os 27 mil sapateiros de Franca, no interior paulista, conquistaram reajuste de 12% para o piso, o que representa aumento real de 6%, beneficiando quase um terço da categoria. Para os demais, o aumento real foi de 2%. "A indústria brasileira recuperou parte do mercado que vinha perdendo para os importados, depois que o governo sobretaxou em US$ 14,7 o sapato chinês", lembra Fábio Cândido, presidente do Sindicato do Sapateiro e Vestuário de Franca.

Além da influência do mínimo e da inflação baixa, o poder de pressão de algumas categorias foi turbinado pela escassez de mão de obra e o recurso da greve. Na construção civil, por exemplo, cerca de 150 mil operários já cruzaram os braços em algum momento este ano, segundo levantamento da Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada (Fenatracop). Até agora, entre outros ganhos e benefícios, os trabalhadores conquistaram reajustes superiores a 18% nos pisos salariais e ganhos reais de salários superiores a 4%.

A construção pesada e de infraestrutura e montagem industrial concentrou 80% das greves. A maior parte ocorreu nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, onde estão os investimentos mais pesados do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na construção de barragens, hidrelétricas e refinarias.

"Estamos fazendo com que parte da riqueza gerada pelas nossas mãos volte ao trabalhador na forma de melhores salários e de melhores pacotes de benefícios", afirma Adalberto Galvão, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Pesada e Montagem Industrial da Bahia. O crescimento do setor no Estado em 2011 foi de 6% e os trabalhadores acabam de conquistar aumento real de 4,77%.

Em São Paulo, cerca de 100 mil frentistas de postos de combustíveis conseguiram aumento real de 3,82% mais reposição da inflação. O reajuste nominal ficou em 8,37%. "Nossa campanha atingiu os objetivos, apesar das dificuldades econômicas que o País enfrenta e da intransigência patronal", diz Antônio Porcino Sobrinho, presidente da Federação Nacional dos Frentistas e do Sindicato de São Paulo.

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