Alta do petróleo ameaça a recuperação da economia mundial, alerta o FMI

A preocupação com a escalada dos preços internacionais do petróleo aumenta a cada dia no mundo. O temor de analistas e autoridades é o de que os combustíveis mais caros atrapalhem a recuperação da economia global, notadamente dos Estados Unidos. Embora as cotações tenham caído ontem em Londres e Nova York, no ano o petróleo tipo Brent acumula alta de 17%.

NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2012 | 03h07

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, afirmou que "um choque repentino nos preços do petróleo ameaçaria a recuperação da fragilizada economia global". Também ontem, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) reduziu a previsão para o lucro das companhias aéreas em 2012 por causa da alta da commodity.

Na semana passada, o economista Nouriel Roubini, conhecido como "Dr. Apocalipse" por ter antecipado a crise que eclodiu em 2008, alertou que o risco mais sério para a economia global, hoje, é a escalada dos preços dos combustíveis.

"O petróleo já está bem acima dos US$ 100 por barril, apesar do fraco crescimento econômico nos países avançados e em muitos dos mercados emergentes", escreveu. "O ágio por medo pode causar elevação significativa de preços mesmo que não surja conflito militar, e é possível que cause uma recessão se a guerra vier", observou, em referência às tensões no Oriente Médio.

A crise na Líbia no ano passado já apertou a oferta global de petróleo, e, segundo analistas, o aumento das hostilidades entre o Ocidente e o Irã pode representar novo choque de oferta, o que elevaria ainda mais os preços.

A diretora-gerente do FMI advertiu que os preços podem ficar de 20% a 30% mais altos se as exportações do petróleo do Irã caírem rapidamente, e levaria muito tempo para que o petróleo de outros exportadores conseguissem ajustar a oferta global para estabilizar os preços.

O efeito do petróleo mais caro sobre os países se dá por meio da alta da inflação. Em tese, os bancos centrais seriam obrigados a desacelerar a atividade - com elevações do juro básico - para impedir uma escalada ainda mais forte da inflação. Esse procedimento foi defendido, por exemplo, por Andrew Sentance, ex-integrante do Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra, em artigo no Financial Times.

Arábia Saudita alivia. Especificamente ontem as cotações reagiram em queda às declarações do ministro de Petróleo da Arábia Saudita, Ali Naimi. Segundo ele, a alta nos preços da commodity é "injustificável". Ali também disse que seu país, maior exportador do planeta, está disposto a elevar a produção em até 25%. O óleo do tipo WTI para entrega em abril fechou em queda de 2,29% em Nova York, para US$ 105,61 por barril. Em Londres, o barril do tipo Brent recuou 1,26%, para US$ 124,12. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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