Alta do petróleo já afeta inflação

O petróleo na faixa de US$ 50,00 o barril começa a mostrar seus impactos na inflação de outubro, especialmente no Índice de Preços por Atacado 10 (IPA-10), medido de 11 de setembro até o último dia 10 pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O indicador subiu 0,25% no período, mas 0,10 ponto porcentual veio de resinas, essenciais para a fabricação de produtos de plásticos. "Se não fosse o aumento das resinas, o IPA-10 teria subido 0,15%", comenta Salomão Quadros, coordenador de análises econômicas da FGV.As resinas são commodities e seus preços seguem de perto as cotações internacionais, muitos dependentes das variações do petróleo. Como o óleo cru subiu muito neste ano, as resinas tornaram-se o segundo grupo industrial com maior elevação no IPA-10 entre janeiro e outubro, pois subiram 40,93%. Tal marca ficou atrás apenas de siderurgia, que atingiu 48,4%. Em 2003, como o petróleo ficou mais comportado, as resinas subiram bem menos, 2,75%.As recentes elevações do barril do petróleo provocaram em outubro aumentos de 5,83% nas resinas e de 5,14% nos produtos de materiais plásticos. Esta alta, captada pela FGV, foi um pouco menor do que a registrada em setembro, quando as resinas subiram 7,13% e os materiais plásticos 5,14%. "Embora tenham desacelerado um pouco, as elevações foram significativas", comenta Salomão Quadros.O IPA é responsável por 60% do Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), também apurado pela FGV, que baliza uma série de reajustes na economia, como o de energia elétrica.Apesar dos aumentos recentes do petróleo, Quadros ressalta que o principal impacto no custo de vida gerado pela elevação da commodity será sentido no IGP-M de outubro, cuja a apuração se encerra nesta quarta-feira e captará os efeitos do aumento de combustíveis, que passaram a vigorar no dia 15. "O IGP-M deste mês deverá ser bem menor que o anterior (0,69%) basicamente porque a inflação está controlada e a economia cresce, mas não está hiperaquecida", comenta.

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