Alta do petróleo vai elevar preço de petroquímicos

A escalada das cotações internacionais do petróleo deverá elevar os preços de produtos químicos e petroquímicos no mercado brasileiro, aumentando a pressão sobre os custos dos alimentos e produtos de limpeza doméstica e higiene pessoal, entre outros. No entanto, o impacto disso deverá a ser amortecido ao longo da cadeia produtiva, além de não ser sentido de forma imediata no bolso do consumidor.

Marcelo Rehder, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2011 | 00h00

"Até chegar ao consumidor, o caminho é longo", diz Otávio Carvalho, diretor da consultoria petroquímica Maxiquim, "O petróleo precisa ser transformado em nafta, que vira eteno e depois polietileno, até poder ser transformado, por exemplo, em embalagens plásticas flexíveis."

São muitos os produtos que embutem nos preços o custo de produção de matérias-primas e insumos petroquímicos. Vão desde alimentos (embalagens, fertilizantes e combustível para colheita e transporte da safra) até automóveis e eletroeletrônicos (componentes plásticos).

Os especialistas dizem que em pouco mais de um mês os preços da nafta deverão aumentar 6% no mercado global e ultrapassar a marca dos US$ 900 por tonelada, algo que não ocorria desde meados de 2008, quando o barril do petróleo chegou a bater em US$ 140. Nas últimas semanas, o preço médio da tonelada de nafta ficou em torno de US$ 750.

O Brasil importa cerca de 35% da nafta que as indústrias consomem. A compra da matéria-prima é feita pela Braskem, que domina o mercado no País. Os 65% restantes são adquiridos pela petroquímica nacional da Petrobrás. "A alta das cotações internacionais acaba chegando no Brasil com alguma defasagem", diz o diretor da Maxiquim.

O preço da nafta no mercado interno segue as cotações dos principais mercados globais. Só que a política de preços da Petrobrás tem alguns amortecedores, Um deles é o uso de uma média móvel trimestral da cotação internacional. Por exemplo, o preço da nafta no mercado doméstico em março, que reflete a média cobrada no mercado internacional nos últimos três meses.

As indústrias de transformação estão apreensivas com a aceleração no ritmo de alta dos preços das matérias-primas. O motivo é o crescimento das importações. "Não há uma questão estrutural para a alta das cotações", diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), José Ricardo Roriz Coelho. "Para se proteger, do que pode acontecer no Oriente, todo mundo quer aumentar seu estoque e isso sustenta a alta."

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