Alta do PIB deve ganhar força em 2018, dizem economistas

Para analistas, no entanto, melhoras adicionais no consumo e no investimento a partir de 2019 só virão se agenda de reformas avançar

Altamiro Silva Junior e Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

01 Março 2018 | 13h04

A recuperação da economia brasileira deve ganhar força em 2018 e o Produto Interno Bruto (PIB) pode crescer 2,5%, mas melhoras adicionais no consumo e no investimento a partir de 2019 só virão se houver "progressos tangíveis" no ajuste fiscal, avalia o economista-chefe para América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, ao comentar os dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "A recessão está agora no retrovisor", avalia ele.

"Esperamos que a recuperação cíclica se firme em 2018", afirma Ramos em relatório a investidores. A inflação baixa, que melhora o poder de compra da população, melhora das condições de crédito, avanço da situação financeira das famílias, expansão gradual nos gastos das empresas com investimentos e crescimento da confiança dos agentes estão entre os fatores que devem garantir a retomada da atividade este ano, ressalta o economista.

Pelo lado positivo, o economista menciona que os dados do IBGE mostram uma aceleração do investimento no quarto trimestre, com a formação bruta de capital fixo avançando 2% no período na comparação com o terceiro período. Ramos ressalta que o investimento está se recuperando de uma base muito depreciada, após encolher 29,6% entre o terceiro trimestre de 2013 e o primeiro período do ano passado. Com isso, voltou aos níveis de 2009. "O encolhimento do estoque de capital da economia afetou a expansão da produtividade, reduziu o PIB potencial e pode ser um obstáculo para a recuperação da atividade."

O investimento agregado permanece baixo no Brasil, ressalta Ramos. O indicador caiu para 15,6% do PIB em 2017, abaixo dos 16,1% de 2016 e 20,9% de 2013. "A taxa de poupança ficou ainda mais baixa, a 14,8% do PIB." Em 2013, o indicador chegou a 18,3%. "Esses números mostram a urgência de se aprofundar o ajuste fiscal pela elevação da taxa de poupança do setor público", conclui Ramos. Além disso, o prosseguimento do ajuste fiscal pode levar a melhora adicional da confiança dos agentes, o que é positivo para a atividade econômica.

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A incerteza na economia, em ano eleitoral, ainda é alta, mas está abaixo dos picos atingidos em 2016, de acordo com Ramos. Além disso, a economia brasileira está operando com um ainda considerável nível de capacidade ociosa, a taxa de desemprego segue elevada e a diferença entre o PIB atual e o nível que o País poderia estar crescendo é elevada.

Ramos ressalta que o segundo semestre de 2017 foi marcado por um enfraquecimento da atividade, mas o ciclo de negócios encontrou um ponto de inflexão no primeiro período do ano passado. "Após um forte primeiro semestre, o desempenho da economia brasileira decepcionou durante a segunda metade do ano", observa Ramos, destacando que o consumo privado perdeu fôlego na reta final de 2017. Além disso, o economista ressalta que as exportações recuaram no quarto trimestre, retirando 35 pontos-base da expansão do PIB.

O economista conomista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, também  acredita que a composição do PIB deve ser ainda melhor este ano do que foi em 2017, com avanço dos investimentos, que caíram 1,8% no ano passado, somando o quarto ano de retração. No quarto trimestre, ressalta ele, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) voltou a subir (3,8%) na comparação com igual período de 2016 após 14 trimestres, e teve a segunda alta na margem (2%).

"Há encaminhamento para recuperação mais efetiva do consumo e também boa reação dos investimentos", avalia. O consumo das famílias subiu 1%. Vale diz que o desempenho da construção civil no quarto trimestre reforça essa percepção, já que o setor é o único que ainda mostra resultados ruins, mas teve queda interanual menor, de 1,6%, e ficou estável na margem. "Há nítida sinalização de que deve voltar a crescer já no 1º trimestre", diz.

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Dessa forma, Vale afirma que é difícil imaginar uma mudança de rota em 2018 e que o caminho para o crescimento de 3,5% do PIB, conforme sua previsão, está trilhado. Ele pondera que uma eleição apertada pode afetar o resultado, mas diz que os efeitos devem ser sentidos mais em 2019, assim como uma possível reversão do cenário internacional.

"A grande dúvida é 2019. Caso vença um candidato reformista, o PIB pode crescer no mínimo 3,5%, mas se quiserem 'reinventar a roda' e reverter o ajuste fiscal, o PIB pode ser zero ou até mesmo voltar à recessão."

 

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