Alta do preço do álcool puxa para cima preço da gasolina

A alta do preço do álcool tem impulsionado para cima o preço da gasolina nos postos. Isso porque, na composição da gasolina vendida ao consumidor há uma porcentagem de álcool anidro que, de acordo com a Resolução da Agência Nacional de Petróleo (ANP) de 1º de junho de 2003, é de 25%, com margem de erro de 1 ponto porcentual para mais ou para menos. Segundo levantamento semanal feito pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Cepea/Esalq), única entidade que faz esse levantamento periódico no País, o preço médio do álcool anidro aumentou 52,92% e o do hidratado 47,57%, em valores nominais, nas destilarias, entre a última semana de outubro de 2003 e o mesmo período de 2004. Se considerado o início desta safra, na última semana de abril deste ano, os reajustes foram, respectivamente, de 109,5% e 113% nas unidades produtoras. De acordo com a entidade, a , o valor médio do litro do álcool anidro, que é misturado à gasolina, era, na última semana, R$ 0,9599, ante R$ 0,6277 no mesmo período de 2003 e R$ 0,4582 no final de abril de 2004. Já o preço médio nas destilarias do litro do hidratado, que era de R$ 0,5591 em outubro de 2003, saltou para R$ 0,82612 na última semana. Em abril, com o excesso de oferta o litro do combustível utilizado em veículos movidos a álcool ou nos flex fuel chegava a custar R$ 0,38784. Motivos para a alta Para a pesquisadora do Cepea/Esalq, Mirian Bacchi, as altas demandas interna e externa, aliadas à queda na oferta do álcool em virtude das chuvas no início da safra de cana-de-açúcar, foram responsáveis pelos aumentos dos preços do combustível, que chegaram ao consumidor final. Este aumento na demanda também levará o governo federal e a iniciativa privada a revisarem o estudo que definia as perspectivas de consumo do álcool, do GNV e da gasolina na matriz energética brasileira até o final desta década. A União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica) defende-se. Em nota oficial, explica que a comercialização de álcool é livre no País desde a desregulamentação do setor, no final dos anos 90. Para a Unica, os preços, portanto, são conseqüência das relações comerciais num mercado com 350 produtores, uma centena de distribuidores e mais de 28 mil postos de combustíveis. A Unica considera ainda que os preços do álcool continuam competitivos no caso do mercado consumidor paulista, na faixa de 55% do cobrado pela gasolina.

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