Alta do preço pode prejudicar GNV

Para presidente do Sincopetro, em algumas regiões de São Paulo já seria mais vantajoso optar pelo álcool

Nicola Pamplona, O Estadao de S.Paulo

07 de junho de 2008 | 00h00

O gás natural veicular (GNV) pode perder competitividade em relação ao álcool hidratado em algumas regiões de São Paulo. O alerta é do presidente do Sindicato dos Revendedores de Derivados de Petróleo (Sincopetro), José Alberto Paiva Gouvêa. Ele diz que há postos cobrando acima de R$ 1,70 por metro cúbico de GNV, em razão da alta de 40% anunciada pela Comgás na semana passada. Segundo a última pesquisa de preços da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o litro do álcool nos postos paulistanos fechou o mês passado a R$ 1,292."Deve haver alguma migração do GNV para o álcool, principalmente entre carros particulares", diz Gouvêa. Hoje o GNV ainda é mais atrativo, por causa da autonomia. A R$ 1,70 por metro cúbico, o combustível sai a R$ 0,141 por quilômetro, R$ 0,20 a menos do que o litro de álcool - a conta considera uma autonomia de 12 quilômetros por metro cúbico de GNV e de 8 quilômetros por litro de álcool. A reduzida vantagem, porém, pode desestimular novas conversões para o gás natural.Até o fechamento desta edição, a ANP ainda não havia divulgado a pesquisa semanal de preços da semana passada, que já captaria o repasse às bombas da alta promovida pela Comgás. Segundo Gouvêa, o repasse é imediato, pois o GNV não é estocado. A tendência é que a relação seja mais favorável ao álcool nas próximas semanas, com a queda de preço do derivado da cana. A Comgás informou que o aumento reflete a alta do custo do gás natural comprado pela Petrobrás, que acumula 39,7% em 12 meses. O movimento de alta é generalizado: além da distribuidora da região metropolitana, a Gás Natural SPS, a CEG e a Gasmig anunciaram reajustes nas últimas semanas. O preço do gás acompanha a cotação internacional do petróleo. Além disso, a Petrobrás assinou novos contratos com as distribuidoras e corrigiu defasagens.A política de desestímulo ao GNV preocupa oficinas de conversão e fornecedores de equipamentos ao setor. Segundo o consultor da Associação Brasileira de GNV (ABGNV), Márcio Paschoal, o volume de conversões hoje representa 35% do registrado em períodos de pico. "Houve uma pequena recuperação nos últimos meses, mas ainda estamos em níveis muito baixos", diz Paschoal, que é sócio de uma das maiores redes de oficinas de conversão do Rio. Representantes do setor devem se reunir com o presidente Lula no fim do mês, para expor suas preocupações.

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