Alta do real reduziu a dívida externa do governo em maio

A forte valorização de 9,42% do real ante o dólar em maio reduziu em 6,7% a dívida externa do governo federal e ajudou a diminuir o custo do endividamento público. Com a alta de 9,42% do real, a dívida externa caiu R$ 8,19 bilhões e fechou o mês em R$ 114,05 bilhões. A queda da dívida externa conteve o avanço da dívida pública total que cresceu apenas 0,31% em maio, mesmo com o aumento de R$ 12,46 bilhões da dívida interna em títulos públicos. É que mesmo com o processo de queda da taxa Selic (juro básico da economia brasileira) os encargos de juros que incidem sobre o estoque da dívida interna continuam elevados: foram R$ 10,02 bilhões em maio. A dívida pública federal (que inclui a externa e interna) atingiu no mês passado R$ 1,38 trilhão, patamar inferior ao registrado no final do ano passado quando era de R$ 1,39 trilhão.

ADRIANA FERNANDES E RENATA VERÍSSIMO, Agencia Estado

23 de junho de 2009 | 18h40

Segundo dados do Tesouro Nacional divulgados hoje, a dívida interna subiu em maio 0,99% e alcançou R$ 1,27 trilhão. A parcela dos títulos da dívida prefixada saltou de 28,51% em abril para 29,83% do total em maio. Esses papéis são considerados de menor risco para o Tesouro porque têm a taxa definida no momento da venda. Com a melhora do cenário econômico, o Tesouro identificou um aumento mais significativo da demanda dos investidores pelos títulos prefixados. Segundo o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro, Guilherme Pedras, esse aumento da demanda se refletiu nas taxas de juros dos papéis do Tesouro, que caíram em torno de 0,5 ponto porcentual entre abril e maio. "Houve maior procura por papéis prefixados, tanto curtos como longos", disse ele.

A demanda de investidores estrangeiros pelos títulos também aumentou. "Os estrangeiros entraram mais fortemente em maio", avaliou Pedras. O coordenador atribuiu o aumento da demanda à melhoria das perspectivas econômicas por parte dos agentes econômicos e ao processo da queda de juros.

A queda dos índices de inflação em relação ao ano passado, da taxa Selic e a valorização do real frente ao dólar reduziram de 15,13% para 14,36% ao ano o custo médio da dívida pública federal acumulado em 12 meses. "O câmbio teve um efeito relevante nesse queda", disse Pedras. A parcela da dívida a vencer em 12 meses, que corresponde ao endividamento de curto prazo, caiu de28,58% para 26,71% do total. Esse é indicador de sustentabilidade da dívida muito observado pelos investidores.

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