Alta dos alimentos afeta com mais força famílias de baixa renda

Inflação entre a população que ganha até 2,5 salários mínimos sobe 0,97% em abril puxada pelos alimentos

ALESSANDRA SARAIVA, Agencia Estado

13 de maio de 2008 | 08h34

As famílias de baixa renda continuam a sentir mais forte os efeitos da inflação, associada principalmente ao recente aumento dos preços dos alimentos. A categoria absorve, em média, 40% do orçamento de famílias com renda entre 1 e 2,5 salários mínimos. É o que mostra o Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1) - calculado com base nas despesas de consumo dessas famílias, com renda mensal entre R$ 415 a R$ 1.037 - e que subiu 0,97% em abril, ante taxa de 0,66% em março.   Veja mais: Entenda a crise dos alimentos  Entenda os principais índices de inflação Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), que divulgou nesta terça-feira, 13, o índice, esta foi a segunda elevação consecutiva da taxa mensal do IPC-C1. Além disso, a taxa de abril só não superou o resultado mensal de janeiro, quando a variação média do índice foi de 1,37%.No acumulado de 2008 até o mês abril, o IPC-C1 tem taxa de 3,19%. Nos últimos 12 meses, a inflação é de 6,84%. Esses resultados estão acima da média da inflação entre as famílias com rendimento maior. O IPC-BR, que mede a inflação entre as famílias com renda entre 1 e 33 salários mínimos (R$ 415 a R$ 13.695) registrou, até abril, taxas de 2,16% no ano e 4,95% nos 12 últimos meses.Alimentos"Em abril, por exemplo, a alta do grupo Alimentação (que foi de 1,94%, ante alta de 1,35% em março) respondeu por 79,38% do resultado geral do IPC-C1", informou a FGV, esclarecendo que, em todas as apurações realizadas em 2008, os alimentos contribuíram com mais de 50% de toda a composição da inflação da população de baixa renda.Das sete classes de despesa pesquisadas para cálculo do índice, cinco apresentaram aceleração de preços, ou fim de deflação, de março para abril. Além de Alimentação, é o caso de Vestuário (de -0,41% para 1,08%); Saúde e Cuidados Pessoais (de 0,25% para 0,96%); Educação, Leitura e Recreação (de 0,30% para 0,43%); e Despesas Diversas (de 0,24% para 0,34%). Os outros dois grupos apresentaram desaceleração de preços. É o caso de Habitação (de 0,39% para 0,13%); e Transportes (de 0,05% para estabilidade).Essa é a segunda divulgação do índice, que será anunciado mensalmente pela instituição.

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