Alta dos alimentos responde por mais de 50% da inflação

IPC-S subiu 4,22% nos 12 meses encerrados em março; 2,4 pontos porcentuais vieram do grupo alimentação

Márcia De Chiara, O Estadao de S.Paulo

15 de abril de 2008 | 00h00

Mais da metade da inflação ao consumidor registrada nos últimos 12 meses veio do gasto com alimentos nos supermercados e foi sentida especialmente pela população de menor poder aquisitivo, que desembolsa uma fatia maior da renda com comida.Entre abril de 2007 e março deste ano, o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), um dos termômetros da inflação em sete capitais brasileiras, aumentou 4,22%. A alimentação contribuiu com 2,4 pontos porcentuais para a alta do índice, com elevação de 8,80% nos preços dos produtos alimentícios.O campeão de alta foi o feijão carioquinha, cujo preço aumentou 69,8% em 12 meses, seguido pelo óleo de soja (57,1%), carnes bovinas (21,9%), farinha de trigo (21,2%) e laticínios (15,12%), entre outros produtos."Os custos da alimentação básica pressionaram a inflação até agora, cada produto com uma história diferente", observa o coordenador do índice, Paulo Picchetti.Preocupados com o avanço dos preços do trigo, que subiram 120% em dólar na Bolsa de Chicago nos últimos 12 meses, e o corte nas exportações argentinas para o Brasil, a cadeia produtiva do setor, por exemplo, vai anunciar amanhã os pleitos que encaminhará ao governo para atenuar as altas nos preços da farinha, das massas, dos pães e biscoitos.Apesar do avanço das cotações dos alimentos, Picchetti não prevê aceleração no nível de preços da comida ao longo do ano. "Todas as previsões de safras brasileiras são ótimas e as variações dos preços dos gêneros alimentícios estão sendo mantidas desde janeiro."Para o diretor da RC Consultores, Fábio Silveira, a disparada dos preços dos alimentos, que impulsionou os índices de inflação no começo deste ano e deve continuar pressionando os indicadores de preços no varejo até junho, é uma fotografia do passado, que reflete o aumento dos preços das commodities entre novembro e fevereiro, puxado pela aposta dos fundos de investimento nesses itens."Vários preços já estão em queda nos mercados futuros", diz Silveira. Ele observa que, de fevereiro para abril, o açúcar e a soja recuaram 8% em dólar no mercado internacional. O café ficou 14% mais barato, o farelo de soja teve queda de 7% e a cotação do óleo de soja diminuiu 5%. O recuo dessas commodities deve ter reflexos na inflação ao consumidor a partir do segundo semestre. Picchetti e Silveira dizem que disparada dos preços dos alimentos não é motivo para que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central suba os juros básicos da economia, hoje em 11,25% ao ano, nesta semana. "O Copom não entende a dinâmica dos preços dos alimentos. É preciso subir os juros na China para esfriar a demanda naquele país, não no Brasil", diz Silveira.Ele observa que, além de as cotações das commodities agrícolas nos mercados futuros já ter recuado, outro fator que deverá contribuir para atenuar a alta dos alimentos nos próximos meses é a desaceleração na economia americana. NÚMEROS69,8% foi quanto subiu o preço do feijão nos 12 meses até março57,1% foi o aumento do óleo de soja entre abril de 2007 e março de 20089,4% foi a alta do preço do pãozinho e do biscoito

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