Alta dos alimentos só será enfrentada com vontada política--FAO

O aumento da produção agrícola exigidopara fazer frente às recentes elevações nos preços dosalimentos demandará vontade política dos governantes e não seráviabilizado por forças do mercado apenas, afirmou odiretor-geral da Organização das Nações Unidas para aAlimentação e a Agricultura (FAO). "Na economia rural clássica se diz que, quando os preçosaumentam, a produção aumenta e os preços baixam. Isso não vaiocorrer nesse caso porque, nos países pobres, os produtores vãoter dificuldade em ter acesso a sementes, a fertilizantes e aalimentos para o setor pecuário", afirmou Jacques Diouf ajornalistas. Preços elevados de alimentos, resultantes de safras ruins ede preços recordes de combustíveis, têm desencadeado violênciaem países em desenvolvimento, incluindo o Haiti e a Indonésia,especialmente naqueles que dependem de importações para oabastecimento doméstico. A FAO alertou, na última semana, que as revoltas seestenderão caso líderes mundiais não tomem medidas para reduziros preços para os pobres. "Tudo vai depender das ações políticas e das ações humanascomo respaldo a essa vontade política. Se colocarmos maisrecursos na agricultura, se colocarmos mais recursos naagricultara familiar, se podemos assegurar que os produtorespobres terão acesso aos insumos... podemos mudar a situação",afirmou o chefe da FAO, acrescentando que essas mudanças nãopodem ser colocadas em prática "em dias". Diouf não quis avaliar detalhes da questão dobiocombustível, sob o argumento de que o assunto será tratadoem uma conferência especial em Roma em junho. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou nestasemana críticas de que os biocombustíveis --alguns delesproduzidos a partir de grãos, especialmente na Europa e EstadosUnidos-- são parcialmente responsáveis pela elevação dos preçosdos alimentos. (Reportagem de Isabel Versiani)

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