Alta dos combustíveis altera projeção de inflação para junho

O coordenador de Pesquisas de Preços da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Paulo Picchetti, revisou hoje a sua previsão de inflação para o mês de junho, de 0,56% para 0,62%, na cidade de São Paulo. O aumento na projeção deveu-se à constatação de que a elevação dos combustíveis (5,5% para a gasolina e 6,4% para o diesel na bomba) vai exercer um impacto indireto no custo de vida, por meio dos produtos industrializados e serviços, de 0,16 ponto porcentual, dividido entre os meses de junho, julho e agosto, além de um impacto de direto de 0,12 ponto dos novos preços destes combustíveis sobre o Índice de Preços ao Consumidor (IPC). A distribuição da pressão adicional do reajuste da gasolina e do diesel no orçamento do paulistano será de 0,06 ponto porcentual em junho, 0,08 ponto em julho e de 0,02 ponto em agosto. O cálculo feito por Picchetti considera a variação dos preços industrializados e de serviços desde 1995. De acordo com o economista, fora a trajetória histórica destes segmentos nos últimos nove anos, as surpresas vêm basicamente do comportamento dos combustíveis."O modelo diz que a gasolina tem um efeito imediato sobre os serviços e uma influência defasada de um mês sobre os preços dos produtos industrializados", diz Picchetti, acrescentando que, por isso, o "efeito de segunda ordem" do aumento dos combustíveis no mês de julho será maior do que o impacto de 0,06 ponto no mês de junho.Segunda revisão Esta é a segunda revisão feita em uma semana por Paulo Picchetti para o IPC-Fipe de junho. Na segunda-feira, quando a Petrobras anunciou o reajuste dos combustíveis, o economista elevou a sua projeção de 0,50% para 0,56%, considerando a divisão do impacto direto de 0,12 ponto entre os meses de junho e julho. Desta forma, afirma Picchetti, a contribuição geral dos novos preços dos combustíveis sobre a inflação medida pela Fipe é de 0,28 ponto porcentual, quase uma inflação mensal.Previsão para o ano é mantidaApesar de ter constatado um impacto adicional de 0,16 ponto porcentual sobre a pressão direta do aumento dos combustíveis (0,12 ponto) sobre o IPC da Fipe, Picchetti manteve a projeção do ano de 5,5% a 6%. Segundo ele, a contribuição geral dos novos preços da gasolina e do diesel, de 0,28 ponto, no custo de vida das famílias paulistanas está dentro do intervalo previsto pelo economista.

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