Alta dos commodities salvam exportações brasileiras, diz OMC

Contudo, mais da metade da alta registrada nas exportações ocorreu graças aos preços

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

17 de abril de 2008 | 16h23

A alta nos preços das commodities - produtos com preços estabelecidos no mercado internacional - está salvando as exportações brasileiras e permitindo que o País tenha uma taxa de crescimento em 2008 acima dos índices da China, pela primeira vez em décadas. Os dados são da Organização Mundial do Comércio (OMC) e apontam que, neste ano, o Brasil vem apresentando um desempenho bem acima da média mundial em suas vendas. Mas, segundo a análise da OMC, mais da metade da alta registrada nas exportações ocorreu graças aos preços, e não ao volume exportado, o menor entre os Brics. Representando apenas 1,2% do comércio mundial, o Brasil precisaria se concentrar em garantir uma maior competitividade de seus setores produtivos para não depender os preços dos produtos de base. Em 2007, o País registrou um crescimento das exportações de 17% em valor, com US$ 161 bilhões. Em 2006, o Brasil havia caído para a 24ª posição no ranking da OMC e, no atual relatório, retoma a posição que tinha em 2005. Em volume, porém, o Brasil teve uma alta de suas vendas de apenas 6,9% em 2007. "Essa diferença é muito grande e demonstra que parte do incremento das exportações ocorreu mesmo por causa dos preços", explicou Michael Finger, economista da OMC. "A bonanza nos preços das commodities não durará para sempre e o Brasil precisa aproveitar a situação para montar uma estratégia que permita incrementar sua competitividade em todos os setores", alertou Finger. Brics O governo chegou a estar tão empolgado com os ritmos das exportações no início do ano passado que previu que o Brasil seria o 20º maior exportador do mundo, o que não ocorreu. Apesar de ter subido um lugar na tabela e superado os Emirados Árabes Unidos, o Brasil ainda teve taxas de crescimento das vendas abaixo da China, com 26%, e da Índia, com 20%. Entre os Brics, o Brasil é o último ao lado da Rússia. Neste ano, os dados das exportações brasileiras são ainda melhores diante dos preços internacionais que não param de subir. Em janeiro, as exportações tiveram alta de 20,9%, contra 26,4% em fevereiro. Na China, a alta foi de 21% nos dois primeiros meses. Para a OMC, porém, o Brasil não pode apenas comemorar os números sem começar a se preocupar com as tendências futuras. Uma das advertência é para que o País não passe a depender de suas exportações de produtos de base. "Obviamente que os fazendeiros estão felizes. Mas será necessário ver o que dizem os demais setores. Toda a economia precisa lucrar", disse Finger. Dados da OMC mostram que o Brasil foi o terceiro maior exportador de produtos agrícolas do mundo em 2006, superado apenas pelos EStados Unidos e Europa. O alerta se refere, principalmente, aos impactos do real valorizado para as exportações dos produtos fora do setor agrícola. Para a OMC, o Brasil precisa tomar medidas para garantir maior competitividade, melhor infra-estrutura e produtividade para compensar o câmbio. Ranking O resultado, por enquanto, é que o País continua patinando no ranking dos maiores exportadores do mundo. Mesmo que tenha subido uma posição e incrementado sua fatia no comércio internacional em 0,1% em um ano, a participação de 1,2% no mercado mundial é inferior às taxas apresentadas pelo País em décadas passadas. Países relativamente pequenos como Áustria, Suécia e Suíça continuam com maior participação no comércio mundial que a economia brasileira.

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