Alta dos estoques americanos não segura petróleo, que bate nos US$ 110

Mercado mantém a atenção voltada para a desvalorização do dólar, que torna a commodity atraente

O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2008 | 00h00

Os contratos futuros de petróleo ignoraram relatório apontando o crescimento dos estoques americanos mais do que se previa e, pelo terceiro dia consecutivo, bateram recorde na New York Mercantile Exchange (Nymex) e na Intercontinental Exchange (ICE, de Londres). Na Nymex, os contratos para abril chegaram a superar,pela primeira vez, os US$ 110 por barril. As atenções se voltaram para a nova baixa do dólar frente ao euro (ler ao lado). O comportamento da moeda americana fez aumentar o interesse dos investidores pelas matérias-primas, entre elas o ouro e o petróleo, que são negociadas em dólares e, portanto, se tornam mais atraentes para aqueles que detêm moeda forte.Segundo os operadores, os participantes do mercado estão mais atentos a fatores econômicos e às condições dos mercados financeiros do que aos fundamentos de oferta e demanda. O informe de que os estoques de petróleo dos Estados Unidos tiveram um crescimento de 6,2 milhões de barris na semana passada, quase quatro vezes mais do que os analistas estavam prevendo, provocou um recuo apenas momentâneo nos preços. "O mercado fez da divulgação dos estoques um não-evento, com uma correção momentânea, voltando a subir em seguida", comentou o analista Harry Tchilinguirian, do BNP Paribas.Na Nymex, os contratos de petróleo para abril fecharam a US$ 109,92 por barril, em alta de US$ 1,17 (1,08%); a mínima foi de US$ 107,09 e a máxima, US$ 110,20. Na ICE, os contratos do petróleo Brent também para abril fecharam a US$ 106,27 por barril, alta de US$ 1,02 (0,97%), com mínima de US$ 104,00 e máxima, US$ 106,41. A preocupação dos mercados com a queda na oferta também contribui para o encarecimento do petróleo, principalmente se for considerado o aumento da demanda por parte de economias em crescimento, como China e Índia. A alta do preço da commodity obscureceu o anúncio de que as reservas de petróleo nos Estados Unidos aumentaram em 6,2 milhões de barris (2%) na semana passada, até 311,6 milhões. A maioria dos analistas esperava um aumento muito menor nas reservas de petróleo, estimado em 1,6 milhão de barris. Segundo o Departamento de Energia americano, esse aumento deixa as reservas de petróleo dentro da média correspondente a esse período do ano. EFEITO DOMINÓDa mesma forma que o leve e o Brent, o preço do barril de petróleo referencial da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) bateu também um terceiro recorde consecutivo, ao ser vendido a uma média de US$ 100,57, informou ontem em Viena o secretariado da organização petrolífera. O petróleo do cartel conseguiu, assim,a ultrapassar pela primeira vez a barreira dos US$ 100.

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