Alta dos juros preocupa financeiras

A escalada dos juros no mercado futuro, que já atingiu 18,4% ao ano ante uma taxa básica de 16,5%, interrompeu a trajetória de queda das taxas cobradas ao consumidor e soou como sinal de alerta para as financeiras. Por enquanto, os executivos que administram o crédito estão mantendo as projeções de crescimento do volume de empréstimos para o Natal e os encargos para o consumidor. Alguns deles, no entanto, não descartam a possibilidade de vir a repassar esse aumento no custo de captação para quem assume financiamentos se a taxa de juros no mercado futuro romper a barreira de 19% ao ano.O diretor do Banco Cacique, Wanderley Vettore pondera que, mesmo que haja esse repasse se os juros futuros passarem de 19% ao ano, o impacto nos volumes de crédito ocorreria só no ano que vem. Para 2000, o banco mantém a perspectiva de ampliar em 35% a sua carteira ante o ano anterior. "Se os juros futuros atingirem 19,30% ao ano e o governo ratificar essa tendência, ficará difícil mantermos os encargos para o consumidor no financiamento de veículos", afirma o diretor-superintendente do grupo Zogbi, Antonio Elias Zogbi Neto.Além da crise na Argentina que está pressionando os juros no mercado futuro, Zogbi Neto aponta a perspectiva de aumento nos preços do combustível como outro fator que está atuando para adiar a queda dos encargos financeiros para quem compra a prazo. No momento, ele mantém a projeção de fechar o ano dobrando a sua carteira de crédito.O diretor financeiro da Fininvest, Álvaro Augusto Lopes, admite que aumento no custo de captação reduziu o ritmo de corte nas taxas juros ao consumidor. Mas ele ressalta que, neste mês, a sua financeira diminuiu marginalmente as taxas nos empréstimos pessoais em algumas praças em que atua. "O crescimento da carteira tem aberto espaço para algumas reduções", diz Lopes. Ele acrescenta que o custo de captação é apenas um dos componentes da taxa cobrada do consumidor, que também leva em conta a inadimplência e as perspectivas do emprego, entre outros fatores.Analistas não acreditam em mudanças até o final do anoNúmeros preliminares da pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) mostra que em outubro as taxas médias de juros ao consumidor ficaram estáveis na comparação com setembro. O vice-presidente da entidade, Miguel Ribeiro de Oliveira, diz não acreditar numa subida dos juros, apesar do aumento no custo de captação. O economista-chefe do Lloyds TSB, Odair Abate, esta confiante de que as taxas ao consumidor não serão alteradas até o fim do ano. Ele destaca que os fundamentos econômicos, como a confiança do consumidor, a manutenção do emprego, os prazos mais dilatados do crediário e a inflação menor devem continuar influenciando positivamente o lado real da atividade no fim de ano.

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