Alta dos juros reforça controle da inflação, diz BBV

O efeito da elevação da taxa de juros promovida nesta segunda-feira pelo Comitê de Política Monetária (Copom) será associado a um cenário que já era, em parte, inviável para uma explosão da inflação em 2003, segundo avalia o economista Luís Afonso Lima, do BBV Banco.Antes mesmo da elevação dos juros, de 18% ao ano para 21%, a previsão da instituição para a taxa de inflação do próximo ano era de 8%, o que já reservava alguma distância das projeções que apontavam para uma taxa de dois dígitos.A previsão do BBV considera para o ano que vem um cenário marcado pelo baixo dinamismo do crédito, perspectiva de estagnação da massa real de salários e possibilidade de mudança nas regras de reajustes dos preços administrados. "São fatores que jogam contra a formação de uma explosão da taxa de inflação", afirma o economista do BBV Banco.Segundo o especialista, este cenário acrescido da elevação em três pontos porcentuais na taxa básica de juros reduzirá ainda mais o espaço para uma elevada taxa de inflação em 2003. A medida em si, segundo o economista, foi acertada porque o núcleo do IPCA pelas médias aparadas, que elimina as maiores altas e as maiores quedas dentro do índice, vinha subindo sistematicamente de junho a setembro."Atrás de todos estes aumentos está a depreciação cambial. Isso estava preocupando o Banco Central, que teme um contágio geral dos preços", afirma Lima. Ele afirma que a média das projeções coletadas pelo BC no mercado é de uma taxa de câmbio de R$ 3,23 por dólar para o final do ano."Isso mostra que a chance de apreciação do real é muito grande, mas o BC acreditava que essa apreciação pudesse demorar e ameaçasse também o cumprimento da meta da inflação no próximo ano. Por isso a medida de ontem (segunda), que visa em primeiro lugar reduzir a taxa de repasse do dólar para a inflação", diz o economista do BBV.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.