Alta generalizada do juro acelera inadimplência

Os juros cobrados pelos bancos dos tomadores estão subindo ininterruptamente desde outubro de 2014, segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac). Junto com a elevação dos custos financeiros por quase 12 meses consecutivos cresceu a inadimplência – avanço de 16,9% entre janeiro e agosto, comparativamente a igual período de 2014, conforme os dados da Serasa Experian. A combinação dos dois fatos ajuda a explicar a deterioração da atividade econômica, pois nem as empresas se animam a levantar capital de giro para ampliar negócios ou para investir nem as pessoas físicas se endividam para consumir. Ambas temem que falte capacidade para honrar as dívidas.

O Estado de S. Paulo

19 Setembro 2015 | 02h55

Entre março de 2013 e o mês passado, enquanto a taxa básica de juros passou de 7,25% ao ano para 14,25% ao ano, os juros médios cobrados das empresas pelos bancos passaram de 43,58% ao ano para 61,77% ao ano. O custo das contas garantidas, espécie de crédito rotativo das empresas, chegou aos 6,99% ao mês (124,97% ao ano), bem acima dos juros do capital de giro (32,92% ao ano) e do desconto de duplicatas (40,43% ao ano).

Ainda mais expressivos foram os aumentos dos juros para as pessoas físicas, que variam do mínimo de 28,93% ao ano nas operações de crédito direto ao consumidor (CDC) dos bancos, ao máximo de 350,79% ao ano no cartão de crédito. A taxa média cobrada de pessoas físicas foi de 7,14%, a maior desde julho de 2009.

Juros e tributos em alta reduzem a renda disponível das famílias e elevam o risco de inadimplência, observou o diretor econômico da Anefac, Miguel de Oliveira. As linhas do cartão de crédito e do cheque especial são as mais gravosas. O aumento da inadimplência é a justificativa dos bancos para continuar elevando os juros. É o que espera Oliveira para os próximos meses. A questão são os efeitos dessa política.

Os atrasos foram maiores nas dívidas não bancárias (+22,5% neste ano, em comparação com igual período do ano passado), mas também aumentou o valor médio dos cheques sem fundos, de R$ 1.715,50 para R$ 1.882,47 (+9,7%). A evolução foi mais lenta no caso das dívidas com bancos (+1,4%, para R$ 1.282,87) e caiu 2,9% em títulos protestados.

Os consumidores parecem dispostos a evitar ao máximo entrar nas listagens negativas dos serviços de proteção ao crédito ou deixar de pagar os empréstimos bancários, para não perder o crédito.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.