Alta instabilidade e baixa evolução

O presente ciclo da indústria brasileira reúne duas características pouco favoráveis a uma trajetória sustentada de expansão. De um lado, os índices mensais de produção tiveram marcada alternância de muito bons resultados e quedas acentuadas. Assim, em janeiro, março e abril, o crescimento chegou a, respectivamente, 2,7%, 0,8% e 1,9% com relação ao mês anterior com ajuste sazonal, enquanto em fevereiro e maio as taxas negativas alcançaram 2,3% e 2,0%. De outra parte, em todo o período a evolução foi em média muito baixa, o equivalente a 0,2% a cada mês. Anualizado, esse porcentual equivale a algo próximo a 2,5%, o que, se confirmado, apenas compensaria o declínio de 2,7% verificado em 2012.

ANÁLISE: Daniel Keller de Almeida, ECONOMISTA DO IEDI, DA NOBEL PLANEJAMENTO, ANÁLISE: Daniel Keller de Almeida, ECONOMISTA DO IEDI, DA NOBEL PLANEJAMENTO, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2013 | 02h09

As causas do baixo dinamismo do setor são conhecidas. Ainda há significativa sobrevalorização do real e o comércio mundial não nos favorece, razões do desanimador progresso das exportações e do grande vigor com que as importações vão absorvendo fatias do mercado interno.

Por sua vez, o consumo doméstico já não reproduz o desempenho de antes e o investimento, embora tenha mostrado sinais de reativação, é menos vigoroso do que se imaginava.

A pronunciada sucessão de bons e maus resultados reflete situações de aguda incerteza. O receio de cometer erros nas decisões de produzir e investir torna os empresários muito sensíveis aos sinais de formação de estoques não desejados. Isso é típico de momentos de dúvidas na política e na economia e de apreensão sobre a condução da política econômica. Nessas condições, a produção não deixa de reagir quando os mercados melhoram, mas o empresário somente age quando há uma desacumulação flagrante dos estoques de produtos finais.

No sentido contrário, a qualquer sinal de acumulação de estoques não planejados, a produção é bruscamente freada. Talvez, a instabilidade seja a marca registrada não só da indústria, mas da economia brasileira como um todo no corrente ano. Ainda assim, somos de opinião que a produção industrial e o Produto Interno Bruto (PIB) terão um modesto crescimento, não muito superior a 2%.

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