Alta no fio da navalha prepara terreno para os dois dígitos

ANÁLISE: José Paulo Kupfer

O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2013 | 02h12

Havia uma tal convergência de expectativas que qualquer decisão diferente da que foi tomada, por unanimidade, pelo Comitê de Política Monetária (Copom) seria muito surpreendente. Mas não houve surpresas nem discordâncias na determinação de elevar os juros básicos de 8,5% ao ano para 9%.

A decisão foi unânime em todas as linhas. Se, entre os analistas, até a semana passada, havia uma tendência em apostar numa aceleração do ritmo de elevação da taxa básica, ocorreu um refluxo completo depois que o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, divulgou nota alertando para a possível incorporação de "prêmios excessivos" nos movimentos dos juros de mercado.

É sabido que as decisões do Copom jogam mais com as expectativas. Elas afetam as decisões dos agentes privados mais rápido do que os efeitos concretos - e defasados de uns sete ou oito meses - que produzem na economia.

Uma alta da taxa Selic em 0,25 ponto, por exemplo, daria a impressão de que a desaceleração da economia preocupava mais do que o imaginado. Já uma elevação de 0,75 ponto passaria a mensagem de que o Banco Central temia perder o controle da inflação.

Nos dois casos, o risco era a deflagração de movimentos defensivos: mais recuos nas intenções de investir e aumentos preventivos de preços - com a óbvia consequência da exacerbação de tendências negativas. Faz parte da rotina do Copom se equilibrar no fio da navalha.

A mensagem do comunicado divulgado ao final da reunião, que repete os termos dos dois anteriores, é a de que o ciclo de altas na taxa Selic prosseguirá, faltando definir o ritmo. Mas, pelo andar das pressões cambiais, inclusive as que atingem diretamente os custos dos combustíveis, levar os juros básicos aos dois dígitos ainda este ano é uma possibilidade cada vez mais presente.

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