Alta no preço dos alimentos tem quatro razões, diz Stephanes

No Senado, ministro da Agricultura enumera responsáveis pela inflação, incluindo aumento da demanda mundial

Fabíola Salvador, da Agência Estado,

14 de maio de 2008 | 12h44

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirmou nesta quarta-feira, 14, que há quatro fatores que determinam o aumento de preço dos alimentos no mercado mundial. A primeira razão é o crescimento da demanda mundial. Ele explicou que, desde o século passado, esta é a primeira vez que há um crescimento mundial contínuo a uma taxa elevada, fenômeno que só havia sido registrado entre os anos de 1970 e 1974, mas o ciclo foi interrompido com a primeira crise do petróleo.  Veja mais:Entenda a crise dos alimentos  "Há um aumento da demanda mundial por alimentos. O mundo deixou de ser produtor para ser de demanda", disse o ministro. Ainda sobre este ponto, ele lembrou que para cada quilo de proteína animal, principalmente carne bovina, é preciso 7 quilos de proteína vegetal. Stephanes participou de audiência pública no Senado, cujo tema é a polêmica em torno da redução da oferta mundial de alimentos por causa do aumento da produção de etanol. Conforme o ministro, o segundo ponto em relação ao aumento dos preços dos alimentos é o uso de matéria-prima agrícola para a produção de etanol, competição que não existe no Brasil, mas é uma realidade nos Estados Unidos e na Europa.  Segundo ele, os norte-americanos destinarão este ano 80 milhões de toneladas de milho para produzir álcool e no ano que vem a expectativa é destinação de 120 milhões de toneladas do cereal para produção de combustível. "Esse é um fator secundário, mas também é responsável pelo aumento dos preços dos alimentos", informou Stephanes, sempre enfatizando que a competição entre grãos e biocombustíveis é uma realidade apenas nos EUA e na Europa. O terceiro fator, de acordo com Stephanes, é o aumento da expectativa de vida da população mundial. O quarto fator são as mudanças climáticas. O ministro citou o exemplo da Austrália, que é um grande produtor de arroz, mas que deixou de exportar por causa de problemas climáticos. O ministro também reconheceu que o Rio Grande do Sul tem tido problemas climáticos. Segundo ele, 7 dos últimos 10 anos foram de baixa produtividade nas lavouras gaúchas, por causa do clima adverso. Stephanes reafirmou, ainda, que os preços da maioria dos produtos agrícolas está "num movimento de bastante alta", com exceção do café e algodão. Segundo ele, esse novo nível de preços dos alimentos "está ai possivelmente para ficar". Mesmo assim, ele disse que pode haver recuo nos preços do arroz e do trigo. "Mas, de qualquer forma, não retornaremos aos antigos níveis de preços", comentou. Ele acrescentou que a expectativa é de novos impactos em termos de preço dos alimentos entre 2010 e 2012. Além disso, reafirmou que a demanda por comida é crescente e deve continuar assim nos próximos anos. Segundo o ministro, a demanda mundial por alimentos tem crescido 5% ao ano.  Em alguns casos, o crescimento é ainda maior. Stephanes citou a China, onde a demanda pelo complexo soja tem crescido 20% ao ano. "A resposta em termos de produção é menor, por isso, nos últimos anos consumimos os estoques de milho, trigo e arroz", explicou. Diante desse cenário, o ministro lembrou que o Brasil é um dos poucos países que tem condições de produzir para atender a demanda interna e produzir excedentes de exportação. "Estamos muito bem situados neste cenário", informou. Produção O ministro afirmou ainda que cerca de 50 milhões de hectares de pastagem degradada poderão ser incorporados ao processo produtivo de grãos e de cana-de-açúcar nos próximos anos. Ele garantiu que a expansão verificada no plantio de cana nos últimos anos se deu justamente em áreas de pastagem degradada.  Stephanes informou que perto de 200 milhões de hectares são ocupados hoje com pecuária no Brasil. No entanto, boa parte dessa área tem baixa produtividade. Nas áreas de pastagem degradada, a falta de tecnologia reduziu a rentabilidade dos produtores. O ministro acrescentou que o zoneamento agrícola para a cana deve ser divulgado em julho. O levantamento vai indicar regiões em que poderá ser plantada a cana, onde o plantio será proibido e também as áreas onde haverá preferência para o plantio do produto. Segundo ele, a idéia é estimular o plantio de cana em área de pastagem degradada. 

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