Alta nos estoques assusta chineses

Depois de três décadas de intensa expansão, a China está enfrentando um problema estranho com a sua economia: o acúmulo de produtos não vendidos que está atravancando pisos de lojas, entupindo concessionárias de veículos e enchendo armazéns de fábrica.

KEITH BRADSHER, THE NEW YORK TIMES, GUANGZHOU, CHINA, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2012 | 03h06

O excesso de tudo, desde aparelhos de aço e utensílios domésticos a carros e apartamentos, está dificultando os esforços do governo chinês para recuperar a economia. Os elevados estoques também produziram sucessivas guerras de preços e levaram os fabricantes a redobrarem os esforços para exportar o que não conseguem vender no mercado doméstico.

A gravidade do problema tem sido cuidadosamente mascarada pelo bloqueio ou ajuste de dados econômicos divulgados pelo governo chinês - tudo parte de um esforço para sustentar a confiança dos investidores. Mas uma pesquisa não governamental feita com empresários chineses revelou que os estoques de produtos industriais aumentaram muito mais rapidamente em agosto do que em qualquer outro mês desde que a pesquisa começou a ser feita, em abril de 2004.

O recorde anterior para elevados estoques, segundo a pesquisa do HSBC/Markit, foi registrado em junho. Maio e julho também apresentaram aumentos.

A fraqueza da economia da China significa menos importação de bens e serviços em um momento em que a crise da dívida na Europa já prejudica a demanda, aumenta a perspectiva de um excesso de oferta global de produtos, preços em queda e fraca produção ao redor do mundo.

O ritmo das exportações chinesas tem recuado. As importações, principalmente de matérias-primas, estão em níveis baixíssimos. O preço dos imóveis caiu bruscamente e o dinheiro tem deixado o país por uma variedade de canais legais e ilegais.

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