Mike Theiler/Reuters
Mike Theiler/Reuters

Alta do juro nos EUA deve afetar emergentes com dívida em dólar e alta inflação, diz BofA

Entre os países impactados, BofA cita o Brasil, Indonésia e Turquia; Fed começa nesta 4ª feira sua reunião para decidir a nova taxa do país, mas o mercado acredita que a alta do juro deve ser adiada

Gabriel Bueno da Costa, O Estado de S. Paulo

16 Setembro 2015 | 10h39

SÃO PAULO - Os países emergentes que podem ser afetados negativamente por uma alta na taxa de juros nos Estados Unidos são aqueles com grandes dívidas em dólar e alta inflação, avalia o Bank of America Merril Lynch (BofA). Isso deve acontecer porque esses países não serão capazes de desvalorizar mais suas moedas, disse o economista-chefe do BofA para o Japão, Masayuki Kichikawa.

No dia anterior, o próprio Banco Mundial alertou que uma alta do juro deve ser turbulenta para os países emergentes. Segundo o BofA, entre os países que se encaixam nesse grupo estão Turquia, Brasil e Indonésia. Kichikawa acrescentou que China e Coreia do Sul devem estar fora dessa lista. 

O Federal Reserve - Banco Central dos EUA - começa nesta quarta-feira, 15, sua reunião de dois dias para decidir sobre o novo juro do país. A decisão só deve ser divulgada às 15h (de Brasília) desta quinta-feira.

Alguns bancos de investimento avaliam, em sua maioria, que o Fed não deve elevar os juros na reunião desta semana. Na avaliação do economista sênior David Meier, do banco suíço Julius Baer, os indicadores mais recentes dos Estados Unidos dificilmente levarão o Fed a elevar os juros agora. Segundo ele, as vendas no varejo de agosto, divulgadas na terça-feira, confirmam o gradual fortalecimento do consumo no segundo semestre, mas não são uma surpresa positiva. "Enquanto as expectativas do mercado estão quase divididas, nós continuamos a esperar que o Fed retarde a alta pelo menos até outubro", afirmou ele.

O diretor do escritório de investimentos da corretora Atlantic Trust Private Wealth Management, David Donabedian, disse que pode ser por um triz, mas o Fed deve manter a política monetária nesta semana e ter como meta uma alta em dezembro, na expectativa de que os mercados globais se estabilizem até lá.

Donabedian afirmou que, caso o Fed esteja focado apenas no mercado doméstico, já deveria subir os juros agora, mas como o BC dos EUA deve também estar sensível ao que ocorre no restante do mundo, como por exemplo o quadro na China e a maior volatilidade dos mercados financeiros, deve esperar.

O economista-chefe Simon French, do banco de investimentos Panmure Gordon, diz que os "erros" cometidos pelo Banco Central da Suécia e pelo Banco Central Europeu (BCE), ao elevarem a taxa de juros cedo demais, podem persuadir o Fed a esperar um pouco mais. Segundo ele, o BC sueco se precipitou em 2010 e o BCE, em 2011. Por isso, os dirigentes do Fed devem esperar mais, diante do fato de que não há pressões inflacionárias e ainda existe um cenário de fraqueza em várias outras economias.

Já a Allianz Global Investors defende que há uma série de razões para uma alta nos juros até o fim de 2015. O diretor global de renda fixa da corretora, Franck Dixmier, lembra que a economia dos EUA atingiu o pleno emprego, o mercado imobiliário se sai bem e a confiança do consumidor está em alta. "Diante disso, manter a política de taxa de juros zero não faz mais sentido", argumenta Dixmier. Segundo ele, além de não esperar as pressões inflacionárias subirem muito, o Fed deve "evitar qualquer ambiguidade em relação a sua credibilidade". O economista afirma que não seria surpresa se a alta nos juros fosse anunciada nesta semana, o que pode gerar um pico na volatilidade no curto prazo, já que muitos investidores estão se posicionando para uma alta mais adiante. 

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