Alta nos preços dos imóveis acende alerta vermelho nos EUA

Valores subiram mais de janeiro a julho deste ano do que em todos os anos após 2004, quando começou a bolha

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2013 | 02h09

Os últimos dados de inflação no mercado imobiliário dos EUA acenderam o alerta vermelho: os preços dos imóveis no país subiram mais de janeiro a julho de 2013 do que em todos os anos após 2004, quando começou a ser formada a bolha imobiliária que desencadeou a crise financeira. O quadro atual indica pouca oferta de imóveis, forte demanda e taxas hipotecárias em queda após o Federal Reserve decidir adiar o início da retirada dos estímulos monetários à economia.

O levantamento Standard & Poor's/Case-Shiller divulgado nesta semana chamou a atenção ao mostrar que os preços dos imóveis nas 20 maiores cidades do país subiram 12,4% em julho, ante julho de 2012. Em bases mensais, a alta foi de 1,8%.

Os preços tendem a desacelerar a partir de julho nos EUA, o que não ocorreu este ano. Pelo contrário: o avanço dos preços em julho ante junho foi o maior nos 14 anos da pesquisa. "Em julho de 2013, o preço médio dos imóveis em todo o país voltou aos níveis vistos no primeiro semestre de 2004", aponta a pesquisa S&P/Case-Shiller.

O analista David Blitzer, responsável pelo estudo, disse ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, que os preços devem continuar a subir, mas o ritmo de alta vai desacelerar. "Grande parte dessa força se deve a investidores comprando imóveis para alugar. Na medida em que os preços e os juros sobem, a lucratividade desse negócio vai cair e a fonte de demanda vai secar."

De fato, as taxas hipotecárias subiram cerca de 1 ponto porcentual desde maio, quando o mercado começou a especular que o Fed estaria próximo de reduzir suas injeções de liquidez na economia. No entanto, após a decisão do banco central de manter inalterado o ritmo das compras mensais de bônus, a taxa hipotecária média para 30 anos caiu para 4,32%, o menor nível desde julho, ante 4,5% na semana anterior.

Para Blitzer, os dados não indicam uma nova bolha imobiliária. "A euforia e as expectativas com preços sempre crescentes, presentes entre 2005 e 2007, não estão presentes agora. Os preços estão se recuperando, mas na maioria dos mercados estão entre 15% e 50% abaixo dos níveis recordes."

Já o economista-chefe para os EUA do Deutsche Bank, Joseph LaVorgna, avalia que os dados recentes não mostram nenhum sinal de desaceleração do mercado imobiliário. Ontem o Departamento do Comércio divulgou que as vendas de moradias novas subiram 7,9% em agosto em relação a julho, bem mais que a previsão de alta de 6,6%. "Esse avanço é ainda mais impressionante pela falta de estoques de novos imóveis. Portanto, não é surpresa os preços médios terem subido 0,6% em relação há um ano", diz LaVorgna. / DOW JONES NEWSWIRES

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