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Altamir vê descompasso entre oferta e demanda

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Altamir Lopes, reconheceu hoje que o País enfrenta certo descompasso entre a oferta e a demanda, o que justifica o ciclo de aperto monetário, via aumento da Selic(a taxa básica de juros da economia). Em sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, sobre sua indicação para diretor de Administração do BC, Altamir admitiu que parte das pressões inflacionárias vêm do setor alimentício, devido a sazonalidade e quebra de safras.

EDUARDO RODRIGUES E RENATA VERÍSSIMO, Agencia Estado

23 de fevereiro de 2011 | 13h10

No entanto, ele disse que há pressões vindas de outros segmentos. "O aumento da Selic é para corrigir distorções em outros segmentos, por exemplo serviços e outros bens", afirmou. Segundo Altamir, o aumento dos preços no setor de serviços está em cerca de 7% no acumulado de 12 meses. Em resposta a uma pergunta feita pelo senador Francisco Dornelles (PP-RJ), Altamir afirmou que o aumento da Selic não tem grande influência sobre a composição dos preços das commodities alimentícias. Segundo ele, além da questão da safra para o preço das commodities, esse mercado ainda sofre "com muita especulação".

Alta dos juros

Altamir Lopes afirmou que o aumento do recolhimento compulsório dos bancos é uma medida que ajuda na "esterilização da liquidez", mas tem limites para ser adotada. Segundo ele, a margem que se tem livre em relação ao uso dos compulsórios para conter o aumento da inflação é pequena. "O aumento dos juros tem mais efetividade, porque reflete nas expectativas e na postergação do consumo em benefício da poupança. Por isso, o aumento dos juros tem mais efetividade no controle da inflação", disse.

Segundo ele, as alíquotas do recolhimento compulsório no Brasil já são elevadas. Além disso, ele lembrou que o compulsório faz parte do cálculo do spread bancário (diferença entre o custo de captação dos bancos e o que é efetivamente cobrado do cliente final). "O recolhimento compulsório aumenta o custo das instituições financeiras que repassam isso para o tomador final", explicou. O diretor indicado disse ainda que as instituições também são obrigadas a direcionar parte dos recursos, como o da poupança, para crédito imobiliário e rural. Por isso, segundo ele, o que sobra de recursos é muito pouco para novos aumentos do recolhimento compulsório.

Altamir também fez uma avaliação sobre o impacto do aumento da Selic (a taxa básica de juros) na dívida líquida. Ele lembrou que outros fatores contribuem para o endividamento líquido, como por exemplo as dívidas prefixadas, a variação do câmbio, os empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) atrelados à Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) e os índices de preços.

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