Altamira espera por 10 mil empregos

Cidade na margem do Rio Xingu com cerca de 100 mil habitantes deve concluir Belo Monte com pelo menos o dobro da sua população

João Domingos, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2010 | 00h00

Envolta numa forte crise econômica por causa do embargo à indústria madeireira promovido pelo Banco Central e pelo Ministério do Meio Ambiente, Altamira, de cerca de 100 mil habitantes, confia na construção da usina de Belo Monte para arrumar emprego para cerca de 10 mil pessoas que desde o ano passado foram postas na rua com o fechamento das serrarias.

Esse número coincide com o de pessoas que se inscreveram no Sistema Nacional de Empregos (Sine) nos últimos meses, todas se dizendo sem nenhuma qualificação, perfil de quem trabalhava na indústria madeireira. Uma das condicionantes do Ibama para conceder a licença prévia de Belo Monte foi o aproveitamento de mão de obra local.

"A usina pode resolver o problema do desemprego de Altamira, mas precisamos qualificar esses trabalhadores em programas sociais, como determina uma das condicionantes do Ibama", disse Maria da Guia, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Madeireira e integrante do Sine.

Previsões feitas na cidade apontam para a necessidade de 18,7 mil trabalhadores quando a obra estiver na sua fase mais avançada. Haveria ainda a geração de 23 mil postos de trabalho indiretos com a construção de Belo Monte.

Jorge Gonçalves de Souza, presidente da Associação Comercial e Industrial de Altamira, que tem 270 empresas filiadas, acredita que haverá um boom na construção civil assim que Belo Monte tiver início. O mesmo acontecerá com o setor de hotéis e de serviços. E, consequentemente, toda a economia sairá ganhando.

Transamazônica. A previsão de Jorge Gonçalves é de que, finda Belo Monte, Altamira passará a ter perto de 200 mil habitantes, o dobro de sua população atual. Em compensação, a Rodovia Transamazônica deverá receber pavimentação e as palafitas construídas hoje sobre igarapés, dentro da cidade, vão desaparecer. Pelo menos é isso o que estipulam as condicionantes do Ibama para a concessão da licença prévia.

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