Junior Alves/Estadão
Junior Alves/Estadão

Altíssima definição chega à televisão

Ultra HD. Também conhecido como 4K, o novo padrão de imagem tem alta qualidade a qualquer distância; apesar de as TVs terem estreado com preços de até R$ 100 mil em 2012, fabricantes agora lançam modelos mais em conta de olho na Copa do Mundo de 2014

Camilo Rocha, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2013 | 02h16

Daqui até a Copa do Mundo, o consumidor pode se preparar para ouvir cada vez mais dois termos quando o assunto for televisão: 4K e Ultra HD. Ambos os nomes são usados para classificar uma resolução de imagem que é a última novidade do meio. Trata-se de um upgrade e tanto para os olhos: as telas 4K comportam quatro vezes mais pixels que as Full HD, até agora o patamar de resolução mais alto das TVs no mercado.

A feira de eletrônicos IFA, que começou em Berlim (Alemanha) na semana passada, conta com muitas novidades na área. A Sony anunciou uma filmadora que capta imagens em 4K. A Samsung mostrou uma tela curva com a resolução e uma nova versão do tablet híbrido Galaxy Note que grava em 4K. A Acer apresentou um celular que também grava no formato. Já a Panasonic exibiu um tablet gigante, com tela de 20 polegadas e resolução 4K.

A tecnologia é nova e por isso o preço ainda é elevado para o consumidor. As primeiras TVs 4K lançadas no País, no fim de 2012, foram dois aparelhos de 84 polegadas da LG e da Sony, que custavam, respectivamente, R$ 43 mil e R$ 100 mil. "Era um modelo feito muito mais para divulgar a tecnologia do que para vender", diz Fernando Bottura, gerente de marketing da Sony. "Não vendeu muito, nem era esse o objetivo."

As vendas da TV da LG, por outro lado, surpreenderam a empresa. A fabricante afirma que o Brasil se tornou o seu terceiro maior mercado de TVs 4K no mundo, atrás de Estados Unidos e Austrália. A gerente de marketing da LG, Fernanda Summa, diz que não foram apenas os consumidores de São Paulo e Rio de Janeiro que se empolgaram com a novidade. A Região Norte também mostrou forte interesse nos televisores.

Uma loja em especial de Porto Velho (RO), a Coimbra, vendeu sete unidades do aparelho de 84 polegadas da LG em 20 dias, segundo o supervisor de vendas Janier da Silva. "É um símbolo de status ter um aparelho desse em casa", diz.

Em julho, a Sony lançou dois modelos com preços menores, de R$ 12.999 (de tela de 55 polegadas) e R$ 22.999 (65 polegadas). Na semana passada, LG e Samsung também anunciaram novas TVs nesses tamanhos e faixas de preço.

"O Brasil não é mais visto por nós como mercado emergente, mas, sim, mercado importante", avalia Roman Cepeda, diretor de vendas e marketing de produtos de TV da Samsung para a Amériaca Latina. O executivo aposta no sucesso do 4K aqui. "A televisão é um fator culturalmente importante", diz.

A Samsung, assim como as outras empresas, enxergam a Copa do Mundo como alavanca para vendas de TVs maiores e mais sofisticadas, incluindo os modelos 4K. "Esse formato será a grande aposta da Sony para a Copa do Mundo", afirma Bottura. Para fazer um teste, em junho a empresa captou em 4K três jogos da Copa das Confederações no Estádio do Mineirão, em Belo Horizonte.

Na loja e nas apresentações, a tela 4K é deslumbrante. A imagem tem profundidade, clareza e nitidez que impressionam. Mesmo olhando de perto, a imagem na tela não perde a nitidez, como ocorre até com as TVs em Full HD. "As telas grandes pedem uma distância mínima para assistir", diz Bottura, da Sony. "A TV 4K não. Você senta rente à tela e não vê os pixels."

Sem conteúdo. Essa revolução de imagem, porém, não será televisionada como na loja. Pelo menos por enquanto. O principal motivo é que não existe praticamente conteúdo transmitido em 4K. O que se vê nas lojas são imagens criadas especialmente para demonstração.

Os fabricantes garantem, porém, que imagens de Blu-Ray e Full HD têm ganho de qualidade na tela 4K, num fenômeno conhecido como "upscaling".

Produtores de conteúdo como a TV Globo e o site Netflix já investem na produção de conteúdo em 4K. A emissora brasileira capta imagens com a definição desde 2011. Filmou o Carnaval de 2012 nessa resolução e o evento deste ano em 8K - formato ainda mais avançado e que está em fase experimental. A tecnologia 4K também é usada na série A Grande Família e aparecerá na novela Joia Rara, que estreia em duas semanas.

Segundo Raymundo Barros, diretor de engenharia de entretenimento da emissora, a diferença de imagem pode ser percebida mesmo em TVs que não são 4K. "Mais importante é a qualidade do pixel. Essas câmeras conseguem cores mais naturais", explica.

Um executivo da Netflix afirmou em maio ao site The Verge que a empresa também filmou a série House of Cards em 4K, para lançamento futuro da tecnologia. Por e-mail, o diretor global de comunicação da Netflix, Joris Evers, não confirmou a informação, mas enfatizou a importância do 4K nos planos futuros da companhia. "Acreditamos que a transmissão online será o principal meio para os consumidores desfrutarem do conteúdo 4K nas TVs e temos toda a intenção de ser um dos primeiros a entregar títulos em 4K."

Um outro ponto a desenvolver é como o conteúdo chega do emissor ao espectador. O executivo da Netflix diz que "ainda existem muitas peças que precisam ser colocadas no lugar, incluindo hardware para TV, equipamento para streaming e tecnologia de codificação".

Para as emissoras de televisão o caminho é ainda mais longo. "A transmissão pelo ar no Brasil ainda não tem padrão, nem espectro de radiofrequência para isso. Outros meios, como cabo e streaming, conseguirão entregar o 4K primeiro", afirma Barros.

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